Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Desarmamento de ex-combatentes liberianos é adiado

Sexta, 16 de Janeiro de 2004 às 08:04, por: CdB

O desarmamento e reinserção na vida civil de cerca de 40.000 ex-combatentes liberianos foram adiados até o dia 20 de fevereiro para dar tempo aos ex-líderes rebeldes e comandantes do Exército de realizarem uma campanha de concientização entre a tropa, informou nesta sexta-feira, a rádio leonesa.

A decisão foi tomada após o encontro nesta quinta-feira de representantes da Missão da ONU na Libéria (UNMIL, sigla em inglês), do Governo de transição, do Exército e dos grupos insurgentes.

Os centros escolhidos para a entrega de armas estarão sob o controle do pessoal da UNMIL, assistido por militares e ex-rebeldes, para garantir um "ambiente favorável" à realização com êxito do plano de desarmamento, que se estenderá por várias semanas.

A ONU ofereceu uma compensação econômica de 300 dólares a cada ex-combatente pela entrega de suas armas e seu alistamento em programas de educação e treinamento profissional, além de receberem várias rações de alimentos.

Esses programas, de aproximadamente três meses de duração, ensinarão novos ofícios aos ex-combatentes, muitos deles menores de idade e outros, mais velhos, envolvidos durante anos no Exército ou nas milícias que participaram da longa guerra civil liberiana por mais de 14 anos.

A "neutralização" dos soldados dos dois grupos, firmada nos acordos de paz, começou em dezembro passado, mas teve de ser suspensa por causa das revoltas causadas pelas concentrações em alguns acampamentos de desmobilização.

O maior problema para a realização do programa de desarmamento, disse a porta-voz da UNMIL, Margaret Novicki, é que os líderes militares e ex-rebeldes não controlem seus homens na prática. Por isso, acrescentou, o plano é vulnerável a reações como as ocorridas em dezembro, nas quais morreram vários civis e muitos outros foram feridos e roubados.

Os especialistas afirmam que a paz e segurança na Libéria serão obtidas somente depois que todos os ex-combatentes forem desarmados e reinseridos na vida civil, além do "desbloqueio" das áreas que até este momento estão sob controle dos dois ex-grupos rebeldes, praticamente no norte e sul do país. A única faixa que está desmilitarizada é a capital, Monróvia, e parte de suas proximidades.

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