Rio de Janeiro, 30 de Setembro de 2026

Desafios e propostas para a comunicação da Igreja Católica são temas de painel do Muticom

Segunda, 18 de Julho de 2011 às 07:39, por: CdB

Por que a Igreja Católica se cala quando está envolvida emtemas polêmicos? Por que resumir a atuação das estratégias de comunicaçãosomente aos veículos católicos? Que tipo de visibilidade a Igreja Católicaquer? Foram essas algumas das questões surgidas durante o primeiro painel destasegunda-feira, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, ondeacontece o 7° Mutirão Brasileiro de Comunicação(Muticom), que segue até o dia 22.

"Concepção, filosofia, estruturas e modalidades daComunicação na Igreja e a Imagem da Igreja na Mídia” foi o painel que motivouesses questionamentos e que levou representantes da Igreja e convidados arefletirem e discutirem sobre o tema. À mesa, Dom Claudio Celli, presidente doConselho Pontifício de Comunicação Social; Dom Frei Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral daConferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); Dom Orani Tempesta, arcebispode São Sebastiõ; Dom Dimas Lara, presidente da Comissão Episcopal da CNBB; eLuis Erlanger, diretor da Central Globo de Comunicação.

Alguns exemplos positivos foram colocados por parte dosrepresentantes do CNBB. Dom Dimas falou sobre a experiência do projeto FichaLimpa, ressaltando a visibilidade que a Igreja, através de sua base, conseguiualcançar. Da plateia, veio o questionamento de porque a Igreja não abarcatambém outras causas como a saúde ou a educação.

Dom Dimas colocou dados expressivos e uma impressão de com aIgreja, de fato, não é vista pela grande mídia. "Uma vez um governador ougovernadora, não vou mencionar o nome, pois não vem ao caso, disse que nãosabia que a Igreja Católica tinha obras sociais”. E completou enfático: "Nesseperíodo, nós tínhamos 2 milhões e meio de ações em diversas áreas, comcrianças, mulheres, moradores de rua…”.

Já Dom Orani, há vários desafios a serem enfrentados pelaIgreja Católica que, muitas vezes, segundo ele, é acusada de centralizadora."Mas é justamente o contrário. Nós somos descentralizadores. Cada diocese temsua forma de organizar sua comunicação. Então nossa presença é multifacetada.Temos visões diferentes [de comunicação] dentro da própria Igreja. E ascríticas que vêm de dentro são piores do que as que vêm de fora”, disse.

Visto por este ângulo e respeitando a questão das estruturase concepções de comunicação, Orani acrescentou que a luta é pela uniformidade enão pela unidade. Isto é uma forma, acrescenta, de valorizar as diversidadesque existem dentro da instituição.

Veio da Globo eda plateia, as provocações mais animadoras do painel. Numa apresentação comslides, Luis Erlanger, representante da emissora – parceira do evento – mostroque a Igreja Católica tem pouca visibilidade na mídia, sobretudo na Internet.Nos programas de busca, por exemplo, sites ou citações envolvendo outrasigrejas não católicas são mais vistas ou visitadas. De acordo com ele, épreciso explorar mais a inseção da Igreja na mídia. Disse ainda que há poucareação quando a igreja está envolvida em temas mais polêmicos, como apedofilia.

Esse mesmo tema voltou à tona em forma de pergunta. De formamais direta, uma participante perguntou porque a igreja se cala nessesmomentos. Dom Dimas, o primeiro a responder, defendeu, afirmou que não bastampedidos de direitos de respostas e que há sim encaminhamentos legais quando osassuntos são considerados calúnias.

De forma geral, houve consenso de que é necessário um planonacional de comunicação, mais articulado e que envolva mais a base das igrejas católicas.Essas estratégias, afirmaram, já estão sendo traçadas.

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