Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Desafio do FSM é avançar para ações políticas, diz diretor da Abong

Quinta, 15 de Janeiro de 2004 às 08:15, por: CdB

Concebido primordialmente como espaço de encontro e debates de movimentos e organizações da sociedade civil, o Fórum Social Mundial (FSM), nesses seus três primeiros anos de existência, viveu um momento de um primeiro grande encontro entre os atores do hoje chamado movimento altermundista em 2001, evoluiu para a apresentação e discussão de alternativas à globalização neoliberal em 2002, e, em 2003, se propôs a buscar formas de implementação das propostas apresentadas pelos diversos movimentos para a construção de "um outro mundo".

Esse processo resultou, por um lado, em novas articulações e construção de redes de organizações que atuam em campos similares no mundo todo, bem como na mundialização do processo FSM, com realizações de Fóruns regionais e nacionais em todos os continentes e inúmeros países do mundo.

Por outro lado, porém, a falta de respostas concretas, traduzidas em ações práticas visíveis, ainda é, segundo vários movimentos participantes, motivo de inquietação e questionamento em relação aos rumos que o FSM vem tomando e deve tomar no futuro. Nesse sentido, as expectativas para o FSM 2004 são de mudanças, mesmo que ninguém ainda saiba ao certo quais e em que direção.

Segundo Sergio Haddad, diretor da Associação Brasileira de ONGs (Abong) e membro do Conselho Internacional (CI) do Fórum (responsável pelo encaminhamento estrutural do processo FSM), há uma grande cobrança de um posicionamento mais firme sobre ações políticas por parte do coletivo de organizações participantes do Fórum.

 - O grande desafio deste evento é como faremos para identificar as principais questões do movimento altermundista e avançar para ações políticas - diz Haddad.

Para ele, isso poderá mudar a opção do CI de que o FSM não seja um "ator" político, mas apenas um espaço de debates.

- Não sei como se dará a discussão dentro do CI, mas a tendência é que isso mude, que, a partir do processo de debates, passemos a tirar grandes ações políticas - disse. 

O CI, composto por uma série de organizações e movimentos sociais do mundo todo, se encontra nesta quinta-feira para uma reunião preliminar, que terá continuidade nos dias 22 e 23, logo após o término do Fórum.

Para o sindicalista Gautam Mody, membro do comitê organizador indiano, de 2001 para cá o FSM passou gradativamente de um processo de debate "não-governamental" para um movimento político, característica que deve ser aprofundada este ano em função da realidade política dos movimentos indianos que organizam o evento.

- Acima de tudo, estamos querendo resultados - diz Mody.

Segundo ele, o Fórum da Índia se caracteriza fundamentalmente pela construção popular, que se traduz não só no número de movimentos que participam da organização do evento (cerca de 200, contra 8 do ex-comitê organizador brasileiro), mas também em atitudes pragmáticas, como a não-aceitação de financiamento de agências de cooperação internacional como a Fundação Ford, que bancou grande parte dos custos dos fóruns passados.

- Praticamente autofinanciado pelos indianos, o FSM 2004 poderá apresentar problemas estruturais, mas é o melhor que nós pudemos fazer dentro da perspectiva de construirmos um movimento realmente de organizações sociais e populares - afirma Mody.

Estrutura

O local escolhido pelos indianos para receber o FSM 2004, uma antiga fábrica de turbinas fechada há 10 anos, também tem um pouco de simbólico, diz Mody.

- Isso aqui foi um dos berços do capitalismo indiano, e hoje recebe o maior evento antiglobalização neoliberal do mundo - afirmou. 

O local alugado pelo comitê organizador indiano se transformou num centro de exposições há poucos anos e é a primeira vez que será totalmente ocupado por um único evento. Ali, em cinco grandes auditórios, com capacidade média de 8.000 pessoas, o Fórum espera receber cerca de 100 mil ativistas. O número subiu na

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