O diretor financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Kawall, disse que o esforço é grande para realizar integralmente o orçamento de investimentos previsto para este ano, da ordem de R$ 60,8 bilhões. Admitiu, entretanto, a possibilidade de isto não se concretizar em função da desaceleração observada nos primeiros cinco meses do ano.
- Estamos trabalhando para tentar viabilizar (os desembolsos) - disse Kawall. O diretor do BNDES explicou que os pontos de maior frustração que vêm sendo observados pela instituição neste início do ano estão ligados ao setor agrícola, cujos desembolsos caíram 30% nos cinco primeiros meses deste ano, e à expectativa de grandes operações de capitalização do setor elétrico, que em alguns casos não foi necessário, uma vez que muitas empresas melhoraram de situação.
- Isso também era um fator que estava previsto nos desembolsos - explicou. O programa de socorro ao setor elétrico será encerrado no dia 30 deste mês.
Kawall disse que as operações de financiamento de comércio exterior, como são sempre liberadas em dólares, sofreram a ação da desvalorização da moeda norte-americana. - Pelo fato de a taxa de câmbio estar muito mais baixa, quando você converte para Reais, isso também implica em um valor em reais, no caso os R$ 60,8 bilhões, razoavelmente menor do que se previa no início do ano.
Kawall analisou que do ponto-de-vista do nível de atividade, houve uma moderação entre janeiro e maio. Adiantou, porém, que no segundo semestre poderá ocorrer um maior ímpeto, dados os sinais muito bons que estão vindo da inflação. E aí a expectativa é que mais para a frente a taxa de juros possa inclusive cair.
Os grandes projetos de setores produtivos, como siderúrgico e de papel e celulose, deverão puxar os desembolsos do BNDES, que Carlos Kawall ainda acredita que poderão ser realizados. - A gente não abriu mão disso.
Desaceleração da economia impede BNDES de cumprir seu orçamento
Terça, 21 de Junho de 2005 às 08:33, por: CdB