O Real Madrid está encarando de frente o colapso do projeto Galáctico depois da eliminação prematura do clube na Copa dos Campeões. A não ser que o Barcelona passe por uma crise até o final da temporada, o Real terminará sem títulos pelo segundo ano consecutivo - uma situação inaceitável para um organização com apetite insaciável por sucesso.
O time nove vezes campeão da Europa teve um fraco desempenho na quarta-feira, quando foi derrotado na prorrogação pela Juventus, determinada, mas sem nada de especial.
O presidente do Real Madrid, Florentino Perez, nunca perde uma oportunidade para descrever seu clube como o maior e de maior sucesso na história do futebol mundial. Mas a realidade é que dois títulos da liga espanhola e uma Copa dos Campeões em seus cinco anos no comando são um resultado relativamente modesto.
As vitórias do Real na Europa em 1998 e 2000 foram obtidas na era pré-Galácticos, sob o comando de Lorenzo Sanz, homem que Perez acusou de levar o clube à beira do colapso financeiro.
Desde então, e graças à generosidade das autoridades locais por comprar o campo de treinamento do Real por um alto valor, Perez liderou uma recuperação impressionante na economia do clube. Em termos de futebol, o legado é bem menos impressionante.
Perez levou diversos grandes nomes internacionais para o Bernabeu, quebrando duas vezes o recorde de transferências ao comprar Luis Figo e Zinedine Zidane. Ele gastou outros milhões para recrutar Ronaldo, David Beckham e Michael Owen. Exceto Owen, que tem apenas 25 anos, os outros Galácticos estavam ou passaram pelo auge das carreiras no clube.
Ao contrário dos rivais na Europa, o Real recrutou jogadores que já tinham medalhas e prêmios, e não atletas que estavam sedentos por sucesso. O projeto funcionou durante dois anos, com um breve clímax quando Zidane marcou o gol da vitória na final da Copa dos Campeões em Hampden Park em 2002.
Desde então o Real foi sugado por uma espiral de declínio, e a chegada de cada um dos novos Galácticos foi piorando as campanhas da equipe. Em cada ano o clube foi eliminado uma rodada antes e, nesta semana, não conseguiu chegar entre os oito finalistas pela primeira vez em uma década.
Ao contrário de Chelsea, Barcelona e Milan, o Real não conseguiu planejar o futuro e carrega estrelas que estão envelhecendo e atreladas a contratos longos e caros. Perez mantém sua política de contratar nomes mundiais e adicionar atletas jovens do próprio clube.
O problema é que os jogadores mais novos simplesmente não estavam no mesmo padrão e os grandes nomes não podiam carregar o time sozinhos. O mau tratamento de Perez aos jogadores da chamada "classe média", como Claude Makelele e Fernando Morientes, voltou a persegui-lo.
Empresário astuto que é, Perez percebeu - apesar de nunca ter admitido em público - seus erros. Ele foi forçado a contratar dois zagueiros caros, o argentino Walter Samuel e Jonathan Woodgate, apesar de a decisão de assinar com o segundo por 25,41 milhões de dólares ser difícil de entender, devido ao catálogo de contusões do inglês.
Perez também vacilou na escolha de seus técnicos desde a precipitada decisão de demitir Vicente del Bosque. Cinco diferentes técnicos estiveram no comando desde que o Real foi eliminado na última vez pela Juve. Tendo em vista o mais recente fracasso, não há garantias de que Vanderlei Luxemburgo continuará por muito tempo. Então, o que será do futuro? A primeira coisa seria uma limpeza entre os Galácticos mais velhos.
Figo, Roberto Carlos e Raul são os principais candidatos, apesar de ser difícil encontrar compradores para jogadores que relutam em rebaixar suas expectativas salariais.
Exausto, Zidane indicou que está perto de abandonar os campos, Ronaldo está claramente infeliz no novo regime de Luxemburgo e Beckham não consegue render seu máximo. Uma coisa é certa - poucos membros do plantel atual estarão lá para ver o sonho do clube do