Um grupo de deputados que integram as CPIs investe em duas frentes de investigação, esta semana, na busca das origens dos recursos do chamado "Valerioduto", o esquema de distribuição de dinheiro a parlamentares montado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, em conjunto com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
Nesta terça, parlamentares da CPI dos Correios vai a Nova York, atrás das contas externas que poderiam ter abastecido o esquema. O presidente, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) e o sub-relator Gustavo Fruet (PSDB-PR) devem se encontrar na quarta-feira com a diretora da divisão criminal do Departamento de Justiça americano, Mary Ellen Walrow, e no dia seguinte, com o procurador-chefe do Estado de Nova York, Robert Morguental.
O objetivo é conseguir acesso aos documentos sigilosos a respeito da conta Dusseldorf, aberta pelo publicitário Duda Mendonça, segundo depoimento dele mesmo, para receber seu pagamento pelos serviços prestados à campanha do PT em 2002. Os integrantes da CPI também esperam rastrear as contas que teriam abastecido a Dusseldorf e que seriam o "fio da meada" para rastrear os canais externos do "valerioduto".
O empresário Marcos Valério mantém ainda sua afirmação de que os recursos distribuídos a parlamentares tiveram origem em empréstimos bancários tomados às instituições financeiras Rural e BMG. Para membros da CPI, há a possibilidade de que, na verdade, o empresário seja um intermediário de recursos públicos e privados, por meio do superfaturamento de contratos de serviços prestados por suas agências de publicidade.
Mensalão
Uma das diversas "pontas" do valerioduto será investigada pela CPI do Mensalão ainda nesta segunda-feira, com o depoimento marcado para as 18h do ex-assessor do Ministério da Cultura Roberto da Costa Pinho, que teria recebido R$ 450 mil do empresário Marcos Valério. E nesta terça, a CPI dos Correios ouve a ex-presidente da Brasil Telecom Carla Cicco. Foi durante sua gestão que foram assinados os contratos com as agências SMPB e DNA, de Marcos Valério.
Os contratos garantiam às duas agências um pagamento de R$ 187,5 mil mensais, a título de honorários. Apesar de os dois contratos terem sido suspensos, a Brasil Telecom chegou a emitir notas fiscais para as duas agências referentes ao primeiro mês de pagamento de honorários. Há indicações também de terem sido emitidas algumas notas de contratação de publicidade em jornais.