Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Deputados negam envolvimento em fraude

Segunda, 17 de Março de 2008 às 18:07, por: CdB

Em depoimento ao Conselho de Ética da Assembléia Legislativa do Rio, na tarde desta segunda-feira, os deputados João Peixoto (PSDC), Tucalo (PSC) e Edino Fonseca (PR) negaram conhecer esquema para fraudar o auxílio-educação oferecido pela Alerj aos funcionários com filhos matriculados em escolas particulares. Os três deputados, suspeitos de contratar "laranjas" para ficar com o benefício, responsabilizaram pessoas apontadas como membros de uma quadrilha de aliciadores pelas nomeações.

— O conselho agora irá apurar o que foi dito e irá conferir o direito de apresentação de testemunhas de defesa aos que assim desejarem, mas é importante que fique claro que o mandato que nos é concedido é indelegável. E os deputados terão que responder por sua conivência ou mesmo por sua negligência —, afirmou o presidente do conselho, deputado Paulo Melo (PMDB), reforçando que as penalizações por isso podem ir de advertências à cassação do mandato parlamentar.

Dos três primeiros parlamentares a depor, apenas João Peixoto anunciou que levará ao conselho testemunhas de defesa, que serão ouvidas nesta terça-feira, às 10h. Segundo alegou o deputado, as testemunhas provarão que Vanderlei Galdeano – apontado por ele como o responsável pelas contratações sob suspeita – era uma pessoa de prestígio dentro do PSDC, o que justificaria as nomeações confiadas a ele.

— Dei dois cargos a ele, em reconhecimento ao trabalho desempenhado durante a minha campanha. Estes cargos foram desmembrados e usados desta forma. Este esquema nunca aconteceria com o meu conhecimento —, assegurou o deputado.

Ex-presidente do PSDC, Vanderlei Galdeano foi responsabilizado também pelo deputado Edino Fonseca, que disse tê-lo conhecido após as eleições de 2006. De acordo com Fonseca, os três cargos dados a Galdeano obedeceram a uma indicação política.

— Apenas atendi a uma indicação política, acreditando no caráter dele como bom líder político. E fui traído —, disse o parlamentar, que afirmou não ser praxe perguntar o número de filhos aos funcionários em seu gabinete.

— Nosso interesse sempre foi pelo que estes funcionários teriam a oferecer. Eu nunca acompanhei ou tive conhecimento sobre o auxílio-educação, simplesmente porque isso era uma questão pessoal de cada funcionário —, alegou.

O deputado Tucalo (PSC), o segundo a passar pela sabatina do conselho, também se eximiu da responsabilidade pela contratação de mulheres mães de muitos filhos que nunca chegaram a ir ao gabinete. Mas, segundo ele, os seis cargos sob suspeita em seu gabinete foram preenchidos a pedido do ex-diretor de Documentos Parlamentares, Renato de Araújo Sivuca Ferreira, o Sivuquinha, que teria lhe procurado ao saber de sua insatisfação com alguns funcionários.

Segundo o parlamentar, os cargos seriam utilizados em uma pesquisa de campo a ser feita no município de Maricá, seu reduto eleitoral. Ao ser perguntado sobre se desconfiou da lista de contratados, sobretudo pela falta de qualificação das pessoas, Tucalo afirmou que estave viajando no momento em que as contratações foram feitas.

— Mas, assim que voltei, soube que estas pessoas não vinham à Casa e me surpreendi particularmente com o número de filhos de algumas delas, então exonerei todos —, declarou o deputado, informando que o ofício de exoneração das seis pessoas data de 19 de fevereiro.

Os dois últimos dos cinco deputados ouvidos nesta segunda-feira foram Délio Leal e Álvaro Lins, ambos do PMDB. Acusados de terem nomeado uma mesma pessoa, Maria Eliane dos Santos, para receber o benefício sem que a mesma trabalhasse nos gabinetes, eles também confirmaram que seguiram sugestões de Renato de Araújo Sivuca Ferreira, o Sivuquinha, ex-diretor de Documentos Parlamentares da Alerj, e de Vanderlei Galdeano, ex-presidente do PSDC no Rio.

— O que estamos apurando é a fraude no auxílio-educação, ou seja, a vítima é nomeada e o cartão fica com outra pessoa. A linha de condenação s

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