Rio de Janeiro, 08 de Fevereiro de 2026

Deputados fazem ressalvas à divulgação de diálogos da caixa-preta

Quarta, 01 de Agosto de 2007 às 18:58, por: CdB

Parlamentares da Câmara dos Deputados vêem com reservas a divulgação dos diálogos da caixa-preta do Airbus da TAM, que traz os últimos 12 minutos de conversa entre o piloto, o co-piloto e a torre de comando em Congonhas.

As informações vieram a público nesta quarta-feira pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo na Câmara.

— Primeiro tem que ser pensar no respeito às familias, segundo, se a divulgação não atrapalharia a investigação do caso. Se isso não ocorre,  a divulgação não atrapalha —, avaliou o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que integra a CPI, se manifestou contrário à divulgação dos dados de forma isolada.

— As informações deveriam ser acompanhadas de uma análise, e não liberadas isoladamente —, disse.

De acordo com ele, a divulgação isolada pode levar a conclusões precipitadas, o que seria uma "irresponsabilidade".

No entanto, Gabeira ponderou que não adiantaria a CPI reter esses dados, já que o vazamento seria inevitável por causa da repercussão do assunto.
 
— A maioria da CPI foi favorável à divulgação. E eu, aceitei —, afirmou.

O deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que propôs a criação da CPI, disse que, antes de divulgar, a comissão deveria ter checado se havia algum impedimento legal para isso.

— Era preciso verificar se o Brasil assinou algum tratado internacional que impeça a divulgação de elementos de caixas-pretas —, disse, acrescentando que está fazendo esse levantamento.

O deputado Miguel Martini (PHS-MG), ex-controlador de vôo, concorda. Para ele, a CPI não poderia ter divulgado os dados.
 
— Ao divulgá-los, corremos o risco de ferir alguma legislação internacional que impeça essa divulgação —, comentou.

Na avaliação dele, a divulgação "não ajuda em nada e em nada contribui para melhorar as condições do sistema de tráfego aéreo nacional".

Para Jair Bolsonaro (PP-RJ), os dados não deveriam ser divulgados, porque é preciso respeitar a dor e a intimidade das famílias da vítimas.

— Acho que não é o caso de divulgar os diálogos. Isso pode provocar os familiares com a conversa dos momentos que antecederam o final da vida de seus entes —, disse.

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