Em ato de servidores por aumento salarial, parlamentares dizem que governador "empurra questão com a barriga"
Por: Leticia Cruz, Rede Brasil Atual
Publicado em 17/06/2011, 18:08
Última atualização às 18:15
TweetServidores de serviços de Saúde de São Paulo protestam contra falta de negociação do governo Alckmin me ato no dia 16 (Foto: Mauricio Morais/RBA)
São Paulo - Parlamentares presentes no ato organizado pelos servidores estaduais da saúde nesta sexta-feira (17), em São Paulo, rechaçaram a forma com que o governador do estado, Geraldo Alckmin (PSDB), lida com a Saúde. A assembleia seguida de protesto dos trabalhadores, em frente ao prédio da Secretaria Estadual da Saúde, reivindicava aumento salarial de 26% e melhores condições de trabalho.
O deputado estadual Major Olímpio (PDT-SP) vê falta de vontade do governador em procurar soluções junto aos representantes dos sindicatos. "O Alckmin disse para os secretários receberem os sindicatos e, se possível, oferecer uma bolachinha, mas empurrar o assunto com a barriga", ironizou.
O histórico da relação entre o governador e os sindicalistas e trabalhadores da saúde tem episódios conturbados. Em 2004, ele classificou como "ilegal" uma greve semelhante ao movimento atual. Na ocasião, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-SP) determinou reajuste de 23,94%.
Porém, desde o início de seu atual mandato, Alckmin tem se aproximado das centrais sindicais e negociado reajustes com outras categorias de funcionários públicos. Um dos exemplos é o reajuste escalonado para os professores. A diferença de tratamento é motivo de indignação aos servidores da saúde, porque nenhuma proposta de aumento salarial foi apresentada.
Em solidaridade, o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) prometeu levar ao Congresso Nacional as dificuldades que os funcionários dos hospitais têm com os baixos salários. "A causa tem todo o apoio. E vamos denunciar o salário de fome que os servidores da saúde recebem em plenário na Câmara Federal. Precisamos ter um Estado que garanta serviço de saúde à população e que preste atenção também nos trabalhadores (do setor)", defendeu.
Leito vendidoA privatização dos serviços dos hospitais paulistas foi alvo do deputado estadual Adriano Diogo (PT-SP). Ele acredita que a dificuldade em definir um reajuste nas negociações com a Secretaria Estadual da Saúde se deve à administração de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) por organizações sociais de saúde (OSS), ao atendimento de pacientes de convênios médicos particulares em hospitais públicos e a problemas gerados por desvios de verba. "Enquanto as organizações sociais de saúde não forem fiscalizadas, não vai ter dinheiro para a Saúde", disparou.
No início do mês, a 9ª Vara Federal Cível de São Paulo condenou a Fundação Zerbini, administradora do Instituto do Coração de São Paulo (Incor), a pagar ao SUS R$ 49 milhões por não aplicar as verbas corretamente desde a década de 1990. Segundo auditoria feita em 2010 pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus), o governo paulista no mandato de José Serra (PSDB) teria desviado recursos do setor para o mercado financeiro. Cerca de R$ 12,2 mi deixaram de ser aplicados em gestão.