O partido do governo e o principal partido de oposição, PT e PSDB, fecharam questão contra o projeto do presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), de dar um aumento de 67 por cento aos parlamentares. Mas a avalição é que há fortes chances de a medida ser aprovada.
Além das duas siglas, PPS, PSB, PDT e PCdoB também orientaram seus deputados a votar contra a proposta de equiparação do salário dos parlamentares ao dos ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
O projeto, que precisa ser votado pela Câmara e pelo Senado, prevê elevar os salários de 12.847 reais para 21.500 reais. O novo valor terá um custo de cerca de 166 milhões de reais por ano.
"A única maneira dessa proposta não passar é que o voto seja aberto e nominal. A possibilidade de aprová-la existe, até porque o Severino deve ter discutido o projeto com alguns parlamentares", ponderou à Reuters o líder do PSB na Câmara, deputado Renato Casagrande (ES).
Na quarta-feira, o projeto obteve as 257 assinaturas necessárias para garantir à proposta o status de urgência urgentíssima, ou seja, ela tem prioridade sobre todos os outros projetos em andamento.
Para tentar adiar o debate e retirar o assunto da pauta, o líder do PT, deputado Paulo Rocha, sugeriu a criação de uma comissão especial para discutir um índice de reajuste dos salários.
O presidente da Câmara classificou a atitude dos partidos de demagógica e garantiu que o reajuste será aprovado. "Isso é um problema destes partidos que estão fazendo apenas demagogia. Na verdade, todo mundo está querendo este aumento", disse Severino.
A acusação de demagogia também foi feita pelo PFL e pelo PL, que liberaram suas bancadas para votarem como lhes convier na proposta. A única exigência feita pelo líder pefelista, deputado Rodrigo Maia (RJ), é que seja apresentado o impacto do reajuste no orçamento e qual a fonte dos recursos.
"O PFL vai liberar a bancada porque esse não é um tema programático. É de foro íntimo de cada parlamentar", afirmou Maia.
O líder do PL, deputado Sandro Mabel, disse que fará uma reunião na terça-feira para avaliar o sentimento da bancada, mas ele próprio colocou-se favorável ao aumento. Ele defendeu que a votação siga os termos regimentais e não se faça um esforço para torná-la aberta e nominal.
"Eu não aceito nem defendo que por questões de demagogia se altere o regimento para expor uma turma ou outra", disse Mabel.
Segundo ele, o desgaste do episódio já aconteceu e agora não haveria como "voltar atrás". "A minha posição é: o que é legal eu sou a favor e acho que deve ser feito.... O desgaste já foi feito. Agora é indiferente, basta saber se é legal", disse.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), prometeu comprar briga contra o reajuste e vai trabalhar para que o projeto não seja aprovado. "Não vou antecipar esse assunto de jeito nenhum. O Senado está terminantemente fora dessa discussão. O tema não é urgente, tampouco prioritário", disse Renan.
Outra liderança peemedebista afirmou que o Senado será contrário temendo desgaste maior do que a Câmara. "Lá são 513 deputados, o desgaste dilui mais. Aqui somos 81 e o peso fica mais forte. Ninguém quer falar disso agora", disse um senador da cúpula peemedebista.