Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Deputados constatam péssimas condições para os indígenas

Quinta, 24 de Março de 2005 às 08:48, por: CdB

A má distribuição de água na Reserva Indígena de Dourados e as péssimas condições de moradia da população foram os pontos destacados pelo deputado federal João Grandão (PT-MS), como os mais críticos nesta região do Mato Grosso do Sul. Segundo ele, em 3,5 mil hectares vivem 11 mil índios e apenas 30% da reserva recebe água potável.

Integrante da Comissão Externa da Câmara dos Deputados que investiga as mortes de crianças indígenas relacionadas à desnutrição no estado, João Grandão afirma que, dos depoimentos e visitas que já foram feitas pelos parlamentares, pode-se verificar que o problema da desnutrição é mais complexo do que eles imaginavam.

- Nós constatamos o problema da subnutrição em várias aldeias do Mato Grosso do Sul tem vários fatores. A terra e a água talvez sejam os principais, mas também tem a desestruturação das famílias. São vários fatores que em conjunto levam a esse quadro - diz.

Na tentativa de solucionar o problema, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), também integrante da Comissão, propôs a antecipação dos recursos e uma contribuição maior de verbas para o município. Cada deputado da comissão deve apresentar emendas no valor de R$ 250 mil e o restante da verba, cerca de R$ 500 mil, sairia dos ministérios da Saúde e da Integração Nacional.

Segundo João Grandão, o prefeito de Dourados, Laerte Tetila (PT), disse em depoimento que faltam cerca de R$ 2 milhões para a conclusão da rede de distribuição de água para os índios. Além disso, o prefeito teria afirmado que o crescimento populacional na reserva é um dos pontos que contribui para os problemas na comunidade.

- Após os depoimentos, a comissão solicitou um projeto emergencial à prefeitura de Dourados para resolver a questão da distribuição de água na reserva - enfatiza João Grandão.

Para a relatora da Comissão, deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), a situação em Dourados é muito complicada.

- O problema é muito mais grave e a tendência é acentuar mais, se não houver uma medida urgente dos governos federal, estadual, das prefeituras e dos próprios empresários da cidade - diz.

Segundo os parlamentares, até o final de abril deve ser apresentado um relatório com todas as sugestões e propostas para solucionar o problema no estado:

- Vamos fazer um processo de discussão. São várias as situações que estamos apurando e vamos arrumar alguma alternativa. Quanto à desnutrição, já identificamos que não é um problema de agora, que vem de muito tempo, é conseqüência. Vamos conversar com a Funasa, que foi bem criticada quanto a forma que desenvolve a saúde indígena e também com a Funai - conclui.

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