Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Deputado vê adesão crescente ao financiamento público de campanha

Terça, 14 de Junho de 2011 às 08:40, por: CdB
Deputado vê adesão crescente ao financiamento público de campanha

Por: Virginia Toledo, Rede Brasil Atual

Publicado em 14/06/2011, 14:32

Última atualização às 14:32

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São Paulo - Uma dos pontos negativos do atual modelo de  financiamento privado de campanha eleitoral é a exagerada a dependência entre a política e os doadores de recursos para os candidatos. Na visão do deputado federal e ex-presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), a possibilidade de se concretizar a reforma do sistema político no Brasil precisa atentar para a excessiva exposição dos representantes do povo ao poder econômico.

Durante debate sobre reforma política realizado na noite da segunda-feira (13) na sede do Sindicato dos Químicos de São Paulo, Berzoini afirmou que o financiamento público exclusivo recebeu um crescente apoio nos últimos anos, inclusive de partidos e entidades que, inicialmente, eram contrários à opção.

O deputado explica que os postulantes a cargos eletivos têm de se submeter a buscar recursos do mundo privado, resultando em uma dependência bastante elevada entre a política e o setor privado. " Uma campanha presidencial está ultrapassando R$ 100 milhões", exemplifica Berzoini.

Em 2010, a campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência declarou ter arrecadado R$ 148 milhões, enquanto a do segundo colocado, José Serra (PSDB), levantou R$ 120 milhões. Desses totais, 75% e 61% foram doados diretamente por empresas. A parcela é ainda superior, porque parte das despesas de campanha é repassada por fundos de campanha gerenciados pelos partidos, que também possuem verba de empresas privadas.

 

Sistema de votos

Berzoini defende e detalha as vantagens de se aplicar as eleições por meio de votação em lista fechada – na qual o candidatos são escolhidos em uma lista pré-ordenada pelo partido. Segundo o deputado, a modalidade é a maneira mais democrática de representar o partido e de criar um debate ideológico dentro da legenda, excluindo aqueles que não tenham afinidade programática.

Ele admite, porém, a necessidade de cuidados para evitar que haja disputas internas na formação na lista que impeçam a representação de todos os segmentos que compõem um mesmo partido. Além disso, Berzoini defendeu garantia de distribuição igualitária na lista entre homens e de mulheres.

O deputado também criticou o modelo do "distritão", por diminuir a importância dos partidos. No formato defendido por lideranças do PMDB, as eleições que atualmente são proporcionais (para câmaras de vereadores, dos Deputados e assembleias legislativas) passariam a funcionar como majoritárias. Isso quer dizer que seriam eleitos os candidatos que recebessem mais votos, independentemente de coeficientes partidários.

Apesar da ressalva, Berzoini defendeu a continuidade do debate. "A ideia é continuarmos dialogando e chegar a algum nivel de conciliação entre as propostas. Se for necessário, pode-se também unir dois sistemas distintos para que sejam aperfeiçoados", propõe o deputado.

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