O deputado estadual Marcelo Freixo (PSol), que presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) que apurou as denúncias de crime envolvendo as milícias no Estado quer despertar uma campanha internacional para que o Brasil venha a efetivar o cumprimento das 58 propostas contidas no relatório final da CPI.
O parlamentar está na Europa à convite da Anistia Internacional para tratar do assunto com entidades locais.
- A influência internacional é necessária porque a milícia ameaça a democracia. Não é um problema local, nem específico. É um embrião de máfia. No caso das pessoas ameaçadas pelas milícias – já somos 17 – o empenho da Anistia Internacional teve um resultado muito concreto na proteção e manutenção dos ameaçados. Acreditamos que, da mesma forma, um apelo internacional pode ajudar. Principalmente porque é também da vontade do Governo brasileiro resolver esta questão -, afirmou Freixo.
Na primeira etapa, na Alemanha, a atividade ocorreu no campo acadêmico. Houve palestra na Universidade de Colônia, na Universidade de Bonn, a antiga capital do país, e na Universidade de Berlim.
- Ficamos surpresos com a quantidade de pessoas que encontramos estudando a segurança pública do Brasil aqui. Tem até gente com tema de mestrado sobre milícias. Dá para acreditar? -, conta Freixo, que terá a agenda com autoridades do parlamento europeu mais concentrada nas atividades previstas para a França e a Bélgica.
Para o deputado, este será um momento de também expandir as fronteiras da luta do mandato pelos Direitos Humanos através do roteiro organizado pela Anistia Internacional.
- Estamos também divulgando o relatório final da CPI e denunciando a violência protagonizada, especialmente no Rio, pelo crime organizado, dentro do Estado, em grupos paramilitares. Só no nosso relatório final há uma lista com 225 políticos, policiais, agentes penitenciários, bombeiros e civis indiciados pelo envolvimento com as milícias. Desta lista, 70 já foram presas e umas 40, mortas -, conta o parlamentar.