O deputado Dagoberto (PDT-MS), que lidera um movimento para retirar o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS) da presidência do Conselho de Ética da Câmara, por causa de declarações à imprensa defendendo o fim do órgão, vai reforçar o pedido na quarta-feira ao presidente da Casa, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP).
- Vou fazer um apelo ao presidente Arlindo Chinaglia, porque não se pode permanecer na situação de desmoralização que se encontra o conselho. Isso deixa o órgão muito vulnerável. Se o Chinaglia não der uma solução para a presidência do conselho, eu tenho muita dificuldade para ficar no órgão e vou pedir ao meu partido para sair - disse Dagoberto.
Na última quarta-feira, Dagoberto e Moraes bateram boca durante reunião do conselho por causa da entrevista. O deputado José Carlos Araújo (PR-BA) foi o primeiro a criticar a entrevista do presidente do conselho. Outros deputados também condenaram as declarações de Moraes.
O pedetista informou que pediu esta semana ao líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), que substituísse Moraes no conselho. O líder do PTB não concordou com o apelo e pediu mais uma chance para Moraes, além de prometer conversar com ele sobre sua conduta à frente do colegiado.
O deputado Paulo Piau (PMDB-MG), relator do processo de cassação do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) no conselho, discorda das colocações de Moraes sobre o fim do conselho.
- A democracia dá abertura para tudo, mas discordo plenamente da opinião dele - afirmou.
Segundo Piau, mesmo com toda a deficiência existente, como não ter poderes para convocar testemunhas ou para quebrar sigilos, o conselho é necessário.
- Deveríamos era aperfeiçoá-lo e não propor sua extinção - defendeu.
Mesmo discordando do presidente do conselho, Piau não concorda com sua saída.
- As declarações dele foram um ato de infelicidade, mas não considero motivo para pedir a cabeça dele - disse.
O deputado Sérgio Moraes disse que vai resistir ao pedido para que se afaste do cargo.
- Não renuncio, não retiro nada do que eu disse e se o Dagoberto achar que devo sair do conselho, o problema é dele. O Dagoberto é que nem o quero quero [um pássaro], faz o ninho num lugar do campo e canta em outro - afirmou o parlamentar.
Segundo Sérgio Moraes, o deputado Dagoberto quis tumultuar a sessão do conselho que ia tomar o depoimento do delegado Rodrigo Levin, encarregado da Operação Santa Tereza, que investiga desvio de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), “numa manobra para proteger o Paulinho, que é do partido dele".