Rio de Janeiro, 30 de Março de 2026

Deputado não comparece a depoimento sobre as sanguessugas

Quarta, 06 de Setembro de 2006 às 10:22, por: CdB

O deputado Lino Rossi (PP-MT) enviou ofício ao Conselho de Ética do Senado informando que não compareceria à reunião do órgão. O deputado foi uma das sete pessoas convidadas para depor no colegiado, nesta quarta-feira. Ele é testemunha no processo contra o senador Magno Malta (PL-ES), acusado de receber favores da empresa Planam, envolvida no esquema de venda superfatudrada de ambulâncias com recursos provenientes de emendas ao Orçamento.

No ofício, o deputado do PP afirma que no final de 2001 recebeu por empréstimo um veículo de Darci Vedoin, sócio da Planam, para campanha eleitoral de 2002. Depois disso, em conversa informal com Malta mencionou a existência do carro.Segundo Rossi, o carro foi utilizado por Malta por aproximadamente um ano e meio e depois devolvido.

"O senador me confidenciou as dificuldades financeiras pelas quais passava e a necessidade de transportar a sua banda Gospel Tempero do Mundo, pelas diversas regiões onde realizava shows. Por termos os mesmos princípios religiosos, ofereci, naquela oportunidade, o veículo que havia recebido por empréstimo, alertando-o, contudo que deveria ser devolvido assim que eu requisitasse", diz o ofício.

O senador Romeu Tuma considerou um desrespeito o não comparecimento de Rossi ao Conselho de Ética e pediu que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Sanguessugas o convoque a depor. O Conselho de Ética não tem poder de convocação.

- Acho que não podia ter se negado. Moralmente é um choque. Não é bom para Magno Malta que ele não venha. É uma testemunha importante - disse.

De acordo com Tuma, o deputado deve informar como conseguiu o carro. Além da CPI, o relator do processo contra Malta, senador Demóstenes Torres, quer que Lino Rossi seja ouvido também na Polícia Federal e no Ministério Público.

Voto aberto

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado aprovou, nesta quarta-feira, a adoção de voto aberto em processos disciplinares que envolvam a perda de mandato parlamentar, conforme substitutivo apresentado à Proposta de Emenda à Constituição de autoria do senador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), pelo relator da matéria, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE).

De acordo com o substitutivo, o voto secreto continuará a ser utilizado durante a votação de algumas matérias cuja análise é atribuição exclusiva do Senado, a exemplo da aprovação ou exoneração de autoridades, na apreciação de vetos presidenciais e na eleição da Mesa Diretora da Casa.

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