O deputado Marco Maia (PT-RS), relator da CPI da Crise Aérea, afirmou, depois de acompanhar a realização de oito simulações do acidente com o Airbus A320 da TAM, que os pilotos do vôo JJ 3054 não conseguiriam evitar o acidente após a aterrissagem. As simulações ocorreram na tarde desta sexta-feira na South America Flight Training, em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Em uma das simulações baseadas nos dados recolhidos das caixas-pretas, os dois pilotos que realizavam os testes também não conseguiram frear a aeronave e evitar a colisão com o prédio da empresa. O vôo virtual foi acompanhado pelo coronel Antônio Junqueira, que já trabalhou no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e foi contratado pela Câmara dos Deputados para acompanhar as investigações.
O coronel, que ainda trabalha como piloto, descreveu como "atordoante" a simulação em que o avião colidiu. Ele explicou que, nesta simulação que terminou em uma colisão, o manete da turbina esquerda foi colocado em posição reverso - o correto durante o pouso - e o manete da direita em climb, que é o primeiro estágio de aceleração, uma posição acima da idle (ponto morto).
As simulações mostraram que não haveria tempo para frear a aeronave mesmo que os pilotos percebessem um eventual esquecimento do manete em uma posição errada, de aceleração.
— Mesmo que eles desligassem ou tentassem algum tipo de procedimento para desacelerar a aeronave, não seria suficiente naquelas condições —, disse o coronel.
O deputado afirma que ainda há dúvidas sobre o que levou os manetes a ficarem na posição que estavam no momento do acidente (um em reverso e outro em leve aceleração), informação que constava na caixa-preta da aeronave.
O deputado afirmou que vai analisar as simulações e outros dados entregues para a CPI para fechar seu relatório até a próxima quinta-feira. Apesar das dúvidas, Maia garantiu que os testes com base nas caixas-pretas mostraram que os pilotos não poderiam reagir depois do pouso.
Para o deputado, apenas uma área de escape "sobre o prédio da TAM Express" poderia ter evitado o acidente, já que o Airbus virou à esquerda antes do fim da pista. Para o coronel, dificilmente a redução de 150 metros nas cabeceiras das pistas no Aeroporto de Congonhas para a criação de uma área de escape teria evitado o acidente.
Deputado diz que simulações mostram que pilotos não poderiam reagir
Sexta, 14 de Setembro de 2007 às 18:15, por: CdB