Rio de Janeiro, 21 de Maio de 2026

Deputado desmente acusações de Jefferson contra ele

Terça, 21 de Junho de 2005 às 08:58, por: CdB

As denúncias do deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) de que o deputado João Pizzolatti (PP-SC) sabia do esquema do mensalão, foi negada nesta terça-feira pelo acusado. Jefferson afirmou que o esquema de pagamento da propina a deputados do PP começou na Comissão de Minas e Energia da Câmara, quando era presidida por Pizzolatti, entre março de 2004 e março deste ano.
 
Mostrando tranqüilidade, Pizzolatti disse que as atitudes de Jefferson são típicas de  um "psicopata", e  se dispôs ainda a abrir seu sigilo bancário e comparecer à CPI dos Correios, ao Conselho de Ética e a todas as instâncias necessárias para esclarecer as denúncias.

- Ele é réu confesso de quatro crimes e eu é que tenho que provar que sou inocente? Estou muito tranqüilo. Não quero dar palanque para o Roberto Jefferson - afirmou.

Pizzolatti negou também que se distribuía dinheiro quando havia encontro com membros da comissão, e que, na salinha reservada como descreveu Jefferson, eram feitas apenas entrevistas à imprensa e  eram tidas conversas reservadas.

- Eu posso garantir que ninguém nunca saiu daqui com pacotinho de dinheiro - ressaltou.
 
A Polícia Federal vasculha, nesta terça-feira, o escritório do ex-tesoureiro do PTB e ex-diretor da Embratur Emerson Palmieri, para fazer operações de busca e apreensão. Ele é acusado de guardar os R$ 4 milhões que, segundo Jefferson, foram doados ao PTB pelo PT, durante as eleições municipais do ano passado. Ainda não há registro oficial da suposta doação.
 
Em entrevista ao programa de televisão Roda Viva, na segunda, Jefferson voltou a afirmar que é comum o uso de dinheiro público para campanhas eleitorais, e que a parcela de R$ 4 milhões dos R$ 20 milhões que seriam doados pelo PT está guardada com ele, em um cofre particular:

- Eu assumo. Está comigo. Recebi como pessoa física, não há recibo de doação. Eu pedi contribuições legais, com recibos, como doações. Se o PT me der o recibo, eu retifico. Se não, eu assumo pra mim - afirmou.

Também estão sendo feitas operações de busca e apreensão, a pedido do Ministério Público, em três endereços de Roberto Garcia Salmerón, ex-presidente da Eletronorte, que eram apadrinhados de Jefferson e ocupavam cargos estratégicos no governo federal. 
 

Tags:
Edições digital e impressa