O deputado estadual Marcelo Freixo (P-SOL), da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), criticou o resultado da operação policial desta quarta-feira na Zona Oeste do Rio que terminou com 12 mortos - entre eles uma criança de quatro anos e um policial civil - cinco feridos e doze presos. Para o deputado, o resultado final da operação é fruto de uma política de segurança errada:
— Não é indício de construção de uma política de segurança pública a realização de operações policiais que levam à morte dezenas de pessoas. O Rio de Janeiro já foi palco de uma ação semelhante, em junho, no Complexo do Alemão (quando morreram 19 pessoas acusadas de tráfico de drogas), e qual foi a mudança concreta nas ruas da cidade, nos índices de criminalidade? —
Segundo Freixo, o governo do Rio erra ao insistir em uma lógica de guerra: — Isso faz com que a polícia carioca seja a que mais mata e a que mais morre. E o que isso representa em termos de segurança para o conjunto da sociedade? Absolutamente, nada —. Ele lembrou que nos sete primeiros meses do ano foram 680 os mortos em confrontos com a polícia, "um recorde". E comentou: — Nunca a polícia do Rio matou tanto. Mais uma vez se insiste em fazer com que as favelas sejam palco de guerra e o único braço do Estado presente é o da segurança pública —.
O deputado disse que vai propor a convocação do secretário Beltrame, pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Alerj, para explicar em audiência pública a política de segurança adotada no Estado.
Doze armas, quatro granadas, munição, 12 tabletes de maconha e papelotes de cocaína também fora apreendidos durabnte a operação da Polícia Civil que mobilizou cerca de 400 homens nas favelas da Coréia e do Taquaral, em Senador Camará, zona Oeste da cidade. Entre os mortos estão Jorge Kauã Silva de Lacerda, de 4 anos, o policial civil Sérgio da Silva Coelho e dez homens que seriam ligados ao tráfico de drogas na região, segundo a polícia.
Entre os feridos, o delegado Rodrigo Oliveira, que comanda a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), considerado o grupo de elite da Polícia Civil. Os policiais tiveram o apoio de um helicóptero e um carro blindado na operação.