Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Deputado apresentará relatório sobre suposta corrupção na Assembleia do Pará

Terça, 21 de Junho de 2011 às 11:11, por: CdB

Gustavo LimaCláudio Puty acompanha investigações sobre fraudes em licitações e na folha de pagamento.

O coordenador da comissão externa da Câmara encarregada de acompanhar denúncias de corrupção na Assembleia Legislativa do Pará, deputado Cláudio Puty (PT-PA), deve apresentar, até o próximo dia 29, um primeiro relatório sobre o caso. O documento deve ser entregue ao presidente da Câmara, Marco Maia.

O relator lembra que a Assembleia paraense vem sendo investigada pelo Ministério Público do Pará por fraudes em licitações e na folha de pagamento.

As investigações começaram no ano passado e resultaram na deflagração, a partir de abril, das operações Hiroshima e Nagasaki, que levaram à prisão servidores públicos e empresários e à apreensão de documentos e dinheiro.

Indícios
Puty disse que há indícios de que as fraudes venham ocorrendo desde, pelo menos, 1996. Segundo ele, são fraudes em processos licitatórios de uma empresa que vendia farinha de tapioca e ganhava licitações para fornecer material elétrico para obras na Assembleia Legislativa. “Empresa essa que era de propriedade de um parente da coordenadora da comissão de licitação”, explica o parlamentar.

De acordo com Puty, haveria também corrupção associada a fraudes na folha de pagamento. “Existia uma folha de pagamento fantasma. Havia uma verdadeira, que o banco pagava, e aquela que aparecia nos dados oficiais. Obviamente, a verdadeira envolvia salário de muitos milhares de reais, fala-se até em salários de R$ 80 mil por mês para um procurador da Assembleia Legislativa, R$ 25 mil para outro, enfim, gratificações sobre gratificações e sobre as quais não se pagavam impostos."

Auditorias
A comissão externa defende que o Tribunal de Contas do Estado realize auditorias nas contas da Assembleia. Segundo Puty, a Polícia Federal também deveria participar mais ativamente das investigações “e dar proteção à principal testemunha e ré, Mônica Pinto, que era a pessoa que operava o esquema na Assembleia Legislativa”.

No entanto, acrescenta o deputado, “a Polícia Federal reclamou da falta de estrutura para acompanhar [o caso] a contento, e isso é uma das coisas que estamos pressionando o Ministério da Justiça, para que a Polícia Federal possa desempenhar seu trabalho da melhor forma".

Cláudio Puty informou que Mônica Pinto está disposta a prestar depoimento à comissão. A vinda a Brasília, na avaliação do coordenador da comissão externa, confere dimensão nacional ao caso e, com isso, permite uma garantia de vida a mais para a testemunha.

Reportagem - Ana Raquel Macedo/Rádio Câmara
Edição – Newton Araújo

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