O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar grupos de extermínio no Nordeste, deputado Luiz Couto (PT-PB), disse nesta terça-feira que o assassinado da missionária Dorothy Stang é mais uma ação de grupos de extermínio comandados por milícias privadas que atuam no campo.
- Não tenho dúvida. São milícias privadas que são uma outra forma de extermínio, que atua principalmente no campo, patrocinadas por latifundiários, madeireiros, usineiros para eliminar qualquer forma de reação. Se é amigo do rei, não se faz nada, mesmo se o amigo do rei estiver envolvido em atividades perigosas - lamentou o deputado.
O parlamentar confirmou que apresentou requerimento para que sejam prorrogados os trabalhos da CPI. Luiz Couto afirmou ter sofrido pressões, inclusive de deputados, para que retire nomes da lista de indiciados.
- Recebemos pedido para que o nome de um parlamentar fosse retirado do relatório. O nome dele não foi citado por nós, mas por uma testemunha. Se ele não tem nada a ver com a situação, que processe a testemunha ou que demonstre que não está vinculado a esta atividade criminosa - observou.
De acordo com o deputado paraibano, as investigações da CPI concluíram que há uma forte conexão entre os grupos de extermínio e o crime organizado. Entre as principais vítimas, estão lideranças de direitos humanos e líderes do movimento de reforma agrária. A CPI também constatou que os grupos de extermínio têm um esquema de informação bem estruturado e um para a obtenção de armas. Os grupos atuam com apoio de policiais civis e militares, de agentes penitenciários, fazendeiros e ex-presidiários.
Couto vai propor, em seu relatório, que alguns inquéritos sobre denúncias de extermínio possam ser reabertos e tenham a investigação acompanhada pelo Ministério Público. O parlamentar afirma que, desde agosto passado, o relatório com as conclusões das investigações está pronto para ser votado. Segundo ele, duas semanas são suficientes para apresentação do texto, acolhimento das sugestões dos membros da CPI e votação do relatório final.