Rio de Janeiro, 17 de Outubro de 2026

Deputada nega ter feito campanha em Rio das Pedras

Quarta, 24 de Setembro de 2008 às 07:56, por: CdB

A deputada federal Marina Maggessi (PPS-RJ) afirmou em depoimento, na terça-feira, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa do Rio, nunca ter feito campanha eleitoral na comunidade de Rio das Pedras, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, como afirmou o vereador Nadinho de Rio das Pedras (DEM), em sessão da mesma CPI no último dia 9. De acordo com Marina, sua presença na região aconteceu uma única vez, durante a comemoração do aniversário do inspetor Félix dos Santos Tostes (morto em 2007), no clube Castelo das Pedras. 

A deputada comentou ainda que, na ocasião, havia na comunidade outros candidatos, de diversos partidos, e policiais civis. Questionada sobre o combate às milícias durante o Governo anterior, a deputada federal afirmou que, durante o tempo em que atuou na Coordenadoria de Informação e Inteligência Policiais (Cinpol), as milícias não tinham tanto destaque e poder. Para o presidente da CPI, deputado Marcelo Freixo (PSol), o depoimento da inspetora licenciada confirma a falta de combate aos grupos milicianos.

– As milícias não eram enfrentadas e, exatamente por isso, cresceram muito nos últimos anos. Para mim, fica clara a conivência do poder público, por algum motivo, talvez o eleitoral – afirmou Freixo.

A deputada Maggessi considerou a palavra “conivência” inapropriada e ressaltou que, na época, a preocupação maior do Governo do estado era com o tráfico de drogas.

– Acredito que o tráfico preocupava muito mais a sociedade e a polícia, já que as milícias só começaram a ter esse caráter tão violento quanto o do tráfico há pouco tempo, no final de 2005 – afirmou a parlamentar, ressaltando que, antes, as milícias eram vistas como um “mal menor”.

Maggessi destacou a longa existência de grupos nascidos nas comunidades e que, por serem compostos por policiais ou por profissionais de formação militar, autoproclamavam-se defensores da região.

– Antes eles eram chamados de ‘mineira’, e esse termo milícia é recente. Na verdade, a própria característica mudou e muito. Hoje existem grupos que ocupam uma comunidade, a qual não pertencem, apenas para obtenção de lucro – frisou a policial, lembrando que a maior parte de sua atuação como inspetora se deu na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

– A unidade responsável por investigar milícias é a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), que é diretamente ligada à Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp). Lá, eu nunca trabalhei – afirmou. 

A CPI ouviu também os vereadores Nadinho de Rio das Pedras, do Rio, pela segunda vez, e Chiquinho Grandão (PTB) e Quiel do Canarinho (PDT), ambos de Duque de Caxias – todos estão sendo investigados pela Sesp por possível envolvimento com grupos milicianos. Nadinho, que anteriormente disse que não havia recebido apoio do inspetor Félix em sua candidatura, reconheceu um documento de 2004, recebido pela CPI, com sua assinatura e a do inspetor morto, onde firmam uma parceria para sua eleição.

Para as próximas reuniões, a CPI vai analisar a convocação do vereador Geiso Pereira Turques (PDT), de São Gonçalo, que é sargento da Polícia Militar e candidato à reeleição. A convocação da jornalista Debora Farah, que, segundo dados levantados pela CPI, era sócia de diversos empreendimentos do inspetor Félix Tostes, também será analisada. A data para o depoimento do deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), que foi secretário de Segurança Pública do Rio durante o Governo Rosinha Garotinho (2003 a 2007), ainda não foi confirmada.

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