Rio de Janeiro, 18 de Maio de 2026

Deputada diz que vai processar motoristas por acusações

Sexta, 08 de Julho de 2005 às 08:52, por: CdB

Após declaração do motorista da Wendell Resende de Oliveira que cria suspeitas a respeito da deputada federal Neide Aparecida (PT-GO), uma nota foi divulgada nesta sexta-feira, contestando as acusações de seu ex-funcionário.
 
O motorista afirmou na quinta que fez uma viagem de Goiânia até São Paulo, a mando da deputada, para buscar um pacote de R$ 200 mil com a secretária de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, em setembro de 2001, auge das campanhas eleitorais. Ele diz que o dinheiro foi usado em campanhas de políticos aliados, entre eles o irmão de Delúbio que concorria ao cargo de vereador.
 
- Nós ainda contamos as notas, uma por uma. Dava US$ 200 mil - disse, referindo-se ao encontro com a secretária de Delúbio.


No texto, a deputada diz que não mandou o motorista ir até São Paulo buscar dinheiro, e sim material de campanha, e o acusou de ter feito um saque de sua conta sem autorização, de R$ 400. Ele completa as acusações dizendo que ele recebeu dinheiro para divulgar informações. A deputada diz ainda que irá processar o ex-motorista:


- Ele afirmou que estava recebendo oferta de órgãos de imprensa, de até R$ 60 mil, para dar entrevista sobre fatos que envolvessem a minha pessoa e o PT.

Wendell confirmou as denúncias em depoimento informal prestado ao promotor Fernando Krebs, do Ministério Público Estadual, que investiga enriquecimento ilícito de Delúbio. O promotor vai intimar Wendell para prestar depoimento.

- Trata-se de uma denúncia grave que vamos apurar e também encaminhar ao Ministério Público Federal. Há indícios de crime eleitoral e lavagem de dinheiro - disse o promotor.

O motorista mostrou um papel timbrado da Câmara que comprova que ele esteve no endereço da sede petista, em São Paulo. Nele, constam dois números: o geral do diretório e um outro, da Secretaria de Finanças, até o início da semana chefiada por Delúbio.

O ex-motorista mostrou ainda uma passagem que garantiu a volta a Goiânia. Ele conta que foi a São Paulo e voltou no mesmo dia e que o retorno foi de ônibus para que o pacote com os dólares não fosse flagrado no raio-x do aeroporto.
 
Ao chegar, Wandell disse que repassou o dinheiro a um filho da deputada. A partir daí, o dinheiro foi distribuído pela deputada. Uma parte teria sido encaminhada a Carlos Soares, irmão de Delúbio que concorreu, sem sucesso, à Câmara Municipal. Valores menores, segundo ele, foram enviados para candidatos do interior de Goiás que tinham o apoio de Neide e Delúbio. O ex-motorista diz ter participado da distribuição.


Após conversar com o promotor Krebs na quinta-feira, Wendell ficou de pensar se formalizaria as declarações. Pouco depois, ele foi procurado por assessores da deputada, que teriam tentado convencê-lo a não prestar o depoimento formal.

- Eles disseram que arranjariam alguma coisa pra mim - declarou, para em seguida dizer que não falaria mais nada sobre o assunto.
 
A revista Época divulgou, na quinta, em seu site, um novo contrato de empréstimo do Partido dos Trabalhadores. Desta vez o empréstimo foi feito junto ao Banco Rural no dia 14 de maio de 2003, no valor de R$ 3 milhões. Novamente, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza aparece como avalista do PT, tendo as assinaturas de
José Genoino, presidente do PT e do ex-tesoureiro Delúbio Soares.
 

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