A deputada Renata do Posto (PTB), uma das investigadas por fraudes do auxílio-educação pelo Conselho de Ética, afirmou, em depoimento nesta quarta-feira, que desconhece 15, dos 17 funcionários nomeados em seu gabinete que são suspeitos de fraude no auxílio-educação. De acordo com a parlamentar, essas pessoas eram indicadas por coordenadores de sua campanha para realizar trabalhos em sua base eleitoral.
— Quem trazia os nomes dessas pessoas era o Frederico Schroll, meu chefe de gabinete, mas não sei quem as indicou a ele. Para mim, essas pessoas haviam colaborado na minha campanha, e eram pessoas competentes para servirem de interlocutoras com as comunidades —, alegou.
A parlamentar reconheceu ter assinado os documentos que solicitam a nomeação das pessoas sem conhecê-las fisicamente.
— Eu confiei nas pessoas que trabalhavam para mim —, afirmou.
Na próxima segunda-feira, o Conselho de Ética da Alerj irá ouvir testemunhas que serão apresentadas pela deputada Renata do Posto (PTB). Caso não haja depoentes, a deputada Jane Cozzolino (PTC) é quem será ouvida às 11h – do contrário, o depoimento da parlamentar do PTC e de suas testemunhas começará às 15h.
Picciani disse acreditar que a Casa votará na quinta-feira da próxima semana as punições aos parlamentares que tiveram seus nomes envolvidos na fraude do auxílio-educação.
— Esperamos que os relatórios que envolvem os deputados e com as decisões do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar estejam prontos já na próxima quarta-feira (26/03). Certamente, pelo que se avança, haverá solicitações de decretos legislativos de cassação e a Mesa Diretora colocará em plenário para votação no dia seguinte —, declarou Picciani, acrescentando que a colaboração entre a Mesa Diretora, a Corregedoria e o Conselho de Ética da Casa favoreceu a condução "firme e, ao mesmo tempo, cautelosa" dos trabalhos.
Ministério Público elogia Conselho de Ética
Ao receber a visita de membros da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa do Rio, nesta quarta-feira, o procurador-geral de Justiça do estado, Marfan Martins Vieira, fez elogios ao trabalho realizado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Alerj, na investigação das fraudes do auxílio-educação.
— A participação da Alerj nessa apuração do Ministério Público é de praticamente 80% da prova colhida até agora. Estamos complementando a prova a partir de diligências —, destacou Marfan.
O presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), ressaltou que a sinergia entre os poderes Legislativo e Judiciário está sendo fundamental para a apuração dos fatos.
— Há uma consonância total entre o bom trabalho que o Ministério Público vem fazendo e o reconhecimento do MP aos elementos de prova muito fortes que a Alerj trouxe. Estamos trabalhando juntos para punir os culpados —, disse Picciani.
O procurador comentou que o Ministério Público tem elementos suficientes para, dentro de dez dias, postular o pedido de prisão preventiva e o oferecimento de denúncia contra os aliciadores que participaram do esquema fraudulento. Dentre esses aliciadores, estariam os seis nomes apontados em investigações feitas pelo Conselho de Ética da Alerj: Vanderlei Galdeano, Ubirajara Ferreira, Frederico Schroll, Eduardo Orsino, Nourival Coelho e Marco Aurélio Marins.
— No final de semana, nossa Coordenadoria de Segurança e Inteligência fez algumas diligências nos locais onde residem algumas vítimas, que passaram a serem ouvidas aqui no MP. Dessas oitivas, começamos a ampliar o leque de envolvimentos, o que faz com que haja possibilidade de que outras prisões venham a ocorrer, inclusive de deputados —, ressaltou Marfan.
Ele acrescentou que o MP está preocupado com a influência que esses aliciadores parecem ter sobre as vítimas.
— As vítimas são pessoas extremamente pobres que, há uma semana, estavam sem comer, e que agora têm aparecido aqui para depor com adv
Deputada desconhece funcionários suspeitos de fraude na Alerj
Quarta, 19 de Março de 2008 às 18:49, por: CdB