A ordem no Governo Federal é não realizar nenhuma licitação para exploração das reservas de petróleo dos campos de Tupi e Júpiter até que a Polícia Federal esclareça o furto dos computadores da Petrobras.
As licitações das duas áreas já estavam suspensas desde que a Petrobras divulgou suas descobertas de um megacampo de petróleo na camada pré-sal naquela região. O temor é que os dados dos computadores, que podem conter informações sigilosas sobre localização e extensão dos poços de Tupi e Júpiter, caiam nas mãos de empresas interessadas em explorá-los.
Na época, o governo suspendeu as licitações para reavaliar as regras da concessão das áreas, já que o potencial de exploração era muito maior do que o imaginado inicialmente. O objetivo é adotar mecanismos que permitam ao governo ficar com parte da produção do petróleo explorado ou o equivalente em faturamento.
O presidente Lula, que já sabia do furto, não quis comentar o assunto e afirmou que se "informaria melhor". Nesta quinta-feira Lula e Dilma conversaram sobre o assunto com o presidente da estatal, José Sergio Gabrielli.
O ministro Edison Lobão das Minas e Energia trocou telefonemas com Gabrielli, que ficou responsável de tomar as medidas para tentar reaver os computadores.
A Polícia Federal confirmou a abertura de inquérito para investigar o furto dos dois notebooks e um disco rígido com informações sobre atividades da Petrobras e informou que trabalha com duas hipóteses: roubo simples ou espionagem industrial.
Segundo a estatal, as informações contidas no material - que era levado dentro de um contêiner transportado entre as cidades de Santos e Macaé - são "estratégicas e sigilosas".
Em nota, a Petrobras informou apenas que o furto foi feito de uma empresa terceirizada prestadora de serviços, mas não citou nomes. A PF já confirmou que o contêiner era transportado pela norte-americana Halliburton - a empresa, porém, afirmou que não se pronunciará a pedido da petrolífera brasileira.
A delegada da PF em Macaé, Carla Dolinsk, afirmou que o caso está sendo apurado desde a última quinta-feira, apesar de o furto ter sido informado no dia 1º de fevereiro, e que as informações prestadas até agora pela Petrobras são insuficientes.
O contêiner estava em um navio que partiu do porto de Santos (SP) no dia 18 de janeiro em direção a Macaé, município situado no Norte Fluminense, onde a Petrobras tem sua base de operações na Bacia de Campos. O contêiner chegou 12 dias depois, quando seguranças perceberam que o cadeado do contêiner tinha sido violado. Além de avisar a polícia, a Petrobras informou ter realizado investigações internas.
A Halliburton é uma das principais empresas prestadoras de serviços para o setor petrolífero do mundo e teve como um de seus executivos o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney. O contrato com a Petrobras tem validade de quatro anos e valor de US$ 270 milhões.
Espionagem
Dolinsk explicou que a PF trabalha com duas hipóteses para o caso. A primeira seria o furto com objetivo de espionagem para obtenção de informações estratégicas. A outra seria um furto simples.
A estatal não informou detalhes os dados furtados, nem se continham números sobre o megacampo de Tupi, na Bacia de Santos. A Petrobras também evitou comentar detalhes do furto, mas disse que possui cópias das informações.
Depois do furto, Planalto suspende licitação da Petrobras
Sexta, 15 de Fevereiro de 2008 às 11:17, por: CdB