Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2026

Depois do "Dia da Ira", governo do Egito proíbe novas manifestações

O governo do Egito disse nesta quarta-feira que irá proibir protestos e prender manifestantes, para que não se repita a inédita mobilização popular da véspera contra o presidente Hosni Mubarak.

Quarta, 26 de Janeiro de 2011 às 09:00, por: CdB
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O governo do Egito disse nesta quarta-feira que irá proibir protestos e prender manifestantes, para que não se repita a inédita mobilização popular da véspera contra o presidente Hosni Mubarak. De acordo com um decreto do Ministério do Interior, reuniões públicas, protestos e passeatas estão proibidos, e quem contrariar as ordens será preso e processado. Ativistas responsáveis pelo "Dia da Ira", ocorrido nesta terça-feira, usaram a Internet para convocar novas manifestações nesta quarta-feira contra Mubarak, que governa o Egito desde 1981. O "Dia da Ira" deixou dois manifestantes mortos na cidade de Suez, a leste de Cairo, após serem atingidos por balas de borracha, segundo fontes médicas e de segurança. E a TV estatal disse que um agente de segurança morreu no centro de Cairo após ser apedrejado na cabeça. Inspirando-se na rebelião popular que derrubou o governo da Tunísia neste mês, cerca de 20 mil manifestantes foram às ruas nesta terça-feira para exigir a renúncia de Mubarak e protestar contra a pobreza, o desemprego, a corrupção e a repressão. "Abaixo, abaixo Hosni Mubarak," gritaram os manifestantes em frente a um complexo judicial no centro da capital. Alguns manifestantes foram agredidos por policiais a golpes de cassetete. Outros, numa rara demonstração de coragem contra uma enorme operação nacional de segurança, perseguiram policiais por ruelas da capital. A Reuters TV mostrou um policial aderindo às manifestações. A polícia também foi surpreendida pela fúria da multidão e foi obrigada a permitir que os manifestantes chegassem à praça Tahrir, próxima ao prédio do Parlamento. Em Alexandria (norte), os manifestantes viraram um veículo policial e rasgaram uma foto de Mubarak, de 82 anos, e um de seus filhos, Gamal, que muitos egípcios acreditam estar sendo preparado para suceder o presidente. Mubarak e seu filho negam isso. "Gamal, avise o seu pai que os egípcios te odeiam," gritavam os manifestantes no Cairo, que foram mobilizados pela Internet. No começo da madrugada desta quarta, a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos de água para dispersar manifestantes que ocupavam a praça Tahrir, no centro do Cairo, e atiravam garrafas e pedras nos agentes. Ao amanhecer, a calma havia sido restabelecida na capital e em outras cidades, mas um grande número de policiais continuava na praça. Enquanto garis retiravam pedras e destroços das ruas, o jornal estatal Al Masry al Youm chegava às bancas com uma ameaçadora manchete em letras vermelhas: "Alerta". "Nenhum movimento provocativo ou reunião ou organização de marchas ou manifestações será tolerado, e medidas legais imediatas serão tomadas, e os participantes serão entregues às nossas autoridades investigativas", disse o Ministério do Interior, segundo a agência estatal de notícias Mena. "Para qualquer cidadão livre e honesto que tenha consciência e tema por seu país, para quem tiver visto a violência de ontem contra os manifestantes, pedimos a você que pronuncie uma greve geral em todo o Egito hoje e amanhã", escreveu um ativista no site Facebook, que tem sido usado como tribuna pelos dissidentes. Um grupo de oposição, a Juventude do 6 de Abril, usou sua página no Facebook para convocar protestos nesta quarta-feira, "e depois de amanhã, e até que Mubarak saia". Algumas exigências políticas foram postadas no Facebook e distribuídas em filipetas na praça Tahir, antes que a polícia interviesse. Tais exigências incluem a renúncia de Mubarak e do primeiro-ministro Ahmed Nazif, a dissolução do Parlamento e a formação de um governo de unidade nacional. Um sindicalista usou um megafone para repetir essas exigências à multidão. Cerca de 40 por cento dos 80 milhões de egípcios vivem com menos de 2 dólares por dia, e um terço da população é analfabeta. O analista Nabil Abdel-Fattah disse que "o que está acontecendo é um grande alerta ao sistema." "É tanto uma extensão das frustrações armazenadas quanto de protestos continuados. A novidade é que há novas gerações usando novas ferramentas."
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