Apenas dez municípios eram responsáveis por 25% do valor adicionado da indústria em 2007. A metade do Produto Interno Bruto (PIB – a soma de bens e serviços produzidos em um ano) do setor estava concentrada em 59 municípios. No mesmo ano, 2.464 cidades responderam, juntas, por apenas 1% do PIB industrial. Os dados, divulgados nesta quarta-feira, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fazem parte do levantamento Produto Interno Bruto dos Municípios, que traz informações relativas à geração de renda nos 5.565 municípios no período entre 2003 e 2007.
De acordo com o estudo, somente São Paulo foi responsável por 9,3% da renda gerada pelo setor. Embora tenha se mantido como principal polo industrial do país, o município vem perdendo participação desde 2003 (10,6%). A cidade fluminense de Campos dos Goytacazes, importante polo de exploração de petróleo e gás, assumiu o segundo lugar em 2005 (2,4%) e aumentou sua participação para 2,6% em 2007. Em seguida, aparece o Rio de Janeiro, com 2,2% de contribuição ao PIB industrial.
O levantamento mostra também que o município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foi o que apresentou a maior expansão do valor adicionado bruto da indústria entre as cidades que tinham pelo menos 0,5% de contribuição. O crescimento foi impulsionado pela alta nos preços dos derivados do petróleo e da produção de álcool. O município respondeu por 0,4% do PIB industrial. O bom desempenho do setor automobilístico em 2007 também ajudou a impulsionar o município paulista de São Bernardo do Campo, que contribuiu com 0,2%.
No setor de serviços, metade do PIB ficou concentrado em 36 cidades, enquanto 1.344 respondiam por apenas 1%. São Paulo e Rio de Janeiro, juntos, concentraram 25% da renda gerada pelo setor. A concentração dos serviços nas capitais também foi considerada “bastante alta” pelos técnicos do IBGE, tendo alcançado 40,7% em 2007. Dos 36 municípios que agregavam 50% do PIB do setor, 17 eram capitais.
A agropecuária continuou apresentando uma participação menos concentrada. Em 2007, 202 municípios agregavam 25% do PIB da atividade e 677 respondiam por 1%.
Na Bahia
O município baiano de São Francisco do Conde apresentou, em 2007, a maior geração de riqueza por habitante do país. Naquele ano, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita da cidade – que abriga a segunda maior refinaria em capacidade instalada de refino do território nacional – foi de R$ 239.506, bem acima da média nacional, que foi de R$ 14.183. Logo em seguida, aparecem os municípios de Louveira (SP), Araporã (MG), Triunfo (RS) e Confins (MG).
De acordo com os técnicos do IBGE, essa renda gerada pela produção na cidade nem sempre é apropriada pela população residente. O documento destaca que a maioria dos municípios com PIB per capita elevado tinha em 2007 baixa densidade demográfica. No outro extremo, aparece Jacareacanga (PA), que em 2007 registrou o menor PIB per capita entre os 5.565 municípios brasileiros (R$ 1.566). Aproximadamente 60% da economia local vinham da administração pública, com alto grau de dependência de transferências governamentais.
De acordo com o levantamento do IBGE, esses programas constituíam a principal fonte de fomento ao funcionamento da economia do município. Além disso, 60% do território da cidade paraense eram destinados a áreas de preservação ambiental e terras indígenas. O estudo aponta ainda que os 56 municípios com menor geração de renda por habitante tinham PIB per capita inferior a R$ 2.120 e estavam localizados no estado do Pará e na Região Nordeste, nos estados do Maranhão, do Piauí, do Ceará, de Alagoas e da Bahia.
Entre as capitais, Vitória (ES) liderou o ranking de geração de riqueza por habitante, com PIB por habitante de R$ 60.592, mas perdeu, dentro do estado, o primeiro lugar para o município de Anchieta. Em seguida, aparecem Brasília (DF), com R$ 40.696; São Paulo (SP), com R$ 29.394; Porto Alegre (RS), com R$ 23.534; e Rio de Janeiro (RJ), com R$ 22.903.