O depoimento do fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang, não muda as conclusões do inquérito policial sobre o caso. Apesar do fazendeiro ter negado sua participação no crime, a polícia diz já ter esclarecido o caso.
- Não há dúvida alguma que foi Amair que contratou o Rayfran e o Romualdo a pedido de Bida. Esta é a posição da polícia civil - afirma o delegado da Polícia Civil, Valdir Freire.
O trabalho conjunto de investigação das polícias federal, civil e militar aponta Vitalmiro e Amair Feijoli da Cunha, o Tato, como mandantes do crime. Rayfran Sales e Clodoaldo Batista são apontados como executores da morte. Todos já estão presos.
A acareação, anteriormente marcada para terça-feira, só deverá ser realizada na quarta ou quinta. Ela foi suspensa porque as testemunhas ainda serão ouvidas em Pacajá pelo juiz Lucas do Carmo de Jesus e o promotor Lauro Freitas.
A polícia afirma ter evidência e provas testemunhais contra o fazendeiro.
- A polícia tem provas e já remeteu à Justiça que a prova do crime foi encontrada na fazenda do Bida, há provas testemunhais de que a arma foi comprada por ele e entregue a Tato, que repassou aos executores. Há provas testemunhais também de que ele escondeu, logo após o crime, o Rayfran e o Clodoaldo - afirma o delegado.
Vitalmiro se entregou a Polícia Federal do Pará no último domingo, depois de 40 dias foragido. No mesmo dia, em depoimento à PF, o fazendeiro negou sua participação no assassinato, mas não escondeu que conhecia os outros dois acusados da morte: Rayfran e Clodoaldo.
Na manhã desta segunda-feira, quando prestou depoimento à polícia Civil, Bida disse que falaria apenas em juízo.
- Foi uma atitude de defesa para que não houvesse contradições com o outro depoimento prestado e daí surgiu a necessidade de se fazer uma acareação - aponta o delegado.
A polícia já concluiu o inquérito inicial e agora investiga se houve consórcio, ou seja, se há outros mandantes do crime. Em princípio, de acordo com o delegado, não há provas de que os pistoleiros receberam dinheiro. Para o delegado, o motivo do crime teria sido porque Dorothy "atrapalhava, por meio da sua ação missionária, os anseios dos extrativistas de madeira".
A senadora Ana Júlia Carepa (PT/PA) - da comissão externa do Senado criada para acompanhar as investigações sobre o assassinato da missionária Dorothy Stang - disse no domingo (28) que manteve conversas com o advogado do fazendeiro e que, por intermédio dela, foi negociada a apresentação de Bida à Polícia Federal.
A freira Dorothy foi assassinada com seis tiros à queima-roupa no dia 12 de fevereiro em Anapu, no Pará. Há mais de 30 anos, ela trabalhava junto às pequenas comunidades pelo direito à terra e à exploração sustentável da Amazônia.
Depoimento não muda inquérito sobre o caso Dorothy, diz delegado
Segunda, 28 de Março de 2005 às 16:08, por: CdB