O depoimento de Roberto Jefferson (PTB-RJ) nesta terça-feira, na Câmara será decisivo para a decisão da reforma política e, como avalia a maioria da cúpula do governo, servirá para a manutenção da crise num patamar elevado, o que reforça a hipótese de mudança.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode decidir pelo eventual afastamento do ministro da Casa Civil, José Dirceu, e sua ida para uma outro minitério da área social, como o próprio Dirceu já havia especulado. Mas por ora, Dirceu e a cúpula petista acham que um afastamento, ainda que temporário, seria confissão de culpa. Se fizer a reforma ministerial, o principal critério seria dar mais vagas nos ministérios para o PMDB, e também reduzir o número de ministérios.
Nesse caso, o prazo oficial de saída é até 30 de abril do ano que vem, mas poderia ser antecipado para diluir a repercussão do afastamento de Dirceu e auxiliares incômodos que Lula gostaria de tirar - Romero Jucá (Previdência) e Henrique Meirelles (Banco Central). Porém, há alguns petistas que acham que o papel de malvado de plantão desempenhado por Dirceu favorece o presidente.
O opositor mais ferrenho no governo à reforma ministerial é Aldo Rebelo (Coordenação Política). Ele sabe que, se Lula realizar as mudanças, dificilmente ficará. Nos últimos dias, Aldo virou defensor de Dirceu. Lula, portanto, está conversando sobre reforma, mas não tomou uma decisão final.
Se tirar o ministro da Casa Civil, temporária ou permanentemente, a opção preferida de Lula é Antonio Palocci Filho (Fazenda), mas o PT e Dirceu poderiam chiar fortemente - seria reforçada a imagem de que perderam de vez a batalha econômica.