O depoimento do delegado Diógenes Curado, da Polícia Federal de Cuiabá, à CPI das Sanguessugas nesta quarta-feira reforça a discussão de que o montante de R$ 1,7 milhão usado para comprar o dossiê contra políticos do PSDB tenha como origem caixa dois de campanha eleitoral. Para o delegado, provavelmente sua conclusão final do inquérito deve apontar crime eleitoral no episódio.
Essa tese segue a mesma linha da CPI, que também deve indicar o crime eleitoral em seu relatório final. A diferença é que o delegado disse que a maior suspeita recai sobre a campanha do senador Aloizio Mercadante (PT-SP) ao governo paulista, isentando a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Há uma divergência em relação a nós. Porque nossa tendência é partilhar a responsabilidade entre as duas campanhas -, disse o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), sub-relator da CPI.
Em um depoimento reservado, Curado disse aos parlamentares que ainda não pode apontar culpados, nem indicar a origem do dinheiro, apesar de ter a certeza de sua origem ilícita. Para a CPI, o depoimento não trouxe muitas novidades, mas servirá para que os parlamentares possam usar informações do inquérito no relatório final.
O delegado disse ainda que são grandes os indícios contra Hamilton Lacerda, ex-assessor da campanha de Mercadante.
- O delegado tem a convicção que o Lacerda conduziu ao hotel o dinheiro usado para comprar o dossiê -, afirmou o presidente da CPI, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-SP).
O delegado informou à CPI que Lacerda teria usado um telefone frio, em nome de Ana Paula Cardoso Vieira, no período em que esteve no Hotel Íbis, em São Paulo, onde foram presos Gedimar Passos e Valdebran Padilha no dia 15 de setembro com o dinheiro. O celular de Ana Paula, executiva de eventos culturais, teria feito 23 ligações apenas para Jorge Lorenzetti.
Segundo o delegado, imagens comprovam que o telefone de Ana Paula fez ligação para Gedimar da região do hotel no momento em que o próprio Lacerda estava no local, de acordo com imagens do próprio Íbis.
- É a primeira brecha da armação do crime -, disse o deputado Raul Jungmann (PPS-PE).
Em depoimento à CPI, Lacerda negou envolvimento com o dinheiro do dossiê e disse que jamais usou um telefone em nome de Ana Paula.
O depoimento de Curado foi fechado porque alegou que o inquérito sobre o documento contra tucanos transcorre sobre segredo de Justiça e que, por isso, precisaria depor em sessão fechada.
Depoimento de Curado à CPI reforça tese de caixa dois em dossiê
Quarta, 06 de Dezembro de 2006 às 14:31, por: CdB