O Departamento de Estado vai substituir o Pentágono à frente da maior parte das operações norte-americanas no Iraque após a transferência de soberania, marcada para 30 de junho, segundo ordem assinada nesta semana pelo presidente George W. Bush
O documento, chamado diretriz presidencial de segurança nacional, foi assinado na túltima erça-feira, mas ainda não veio a público, disseram fontes do governo que viram o texto.
Autoridades dizem que a medida encerra uma disputa de poder entre o Departamento de Estado e o Pentágono sobre quem comandará as operações norte-americanas no Iraque após 30 de junho, quando a Autoridade Provisória da Coalizão deixa de existir e os iraquianos recebem poderes limitados.
A ordem de Bush diz que os EUA serão representados no Iraque por uma missão do Departamento de Estado, que será responsável pela direção, coordenação e supervisão de todos os funcionários do governo dos EUA no país, suas políticas e atividades.
No dia 6 de maio, o Senado confirmou John Negroponte como embaixador norte-americano em Bagdá. Dessa forma, ele vai substituir Paul Bremer, que deixa em 30 de junho o cargo de chefe da autoridade provisória, como principal funcionário dos EUA no Iraque.
O documento assinado por Bush deixa de fora os empregados sob comando militar e aqueles cedidos a organizações internacionais. Os secretários de Estado e Defesa deverão decidir conjuntamente quando as funções militares serão transferidas para as organizações locais. O Departamento de Estado e a Casa Branca não quiseram comentar a ordem.
Os diplomatas há muito tempo queriam assumir um papel relevante no Iraque. Eles acreditam que, dessa forma, aliados dos EUA que foram contra a ocupação vão ficar mais inclinados a participar da reconstrução do país. Além disso, o escândalo de abusos contra prisioneiros prejudicou a credibilidade dos militares.
O documento de Bush também cria um novo departamento provisório para gerenciar as obras no Iraque feitas com dinheiro público norte-americano.