Após denúncias divulgadas pela revista Isto É de que as agências do publicitário Marcos Valério teriam sacado R$ 20,6 milhões em dinheiro, entre julho de 2003 e maio deste ano, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) afirmou que a CPI dos Correios vai seguir outra direção:
- São dados concretos e os depoimentos da secretária de Valério, Fernanda Karina, e do deputado Roberto Jefferson passam a ser ainda mais importantes. É preciso apurar detalhadamente isso tudo e acredito que devemos pedir a colaboração do Coaf nas investigações.
Os líderes partidários vão se reunir, nesta terça-feira, para analisar a repercussão dos fatos sobre as investigações da CPI. Em seguida, haverá os depoimentos de Joel dos Santos Filho e Arlindo Molina e Jairo Martins, responsáveis pela gravação que flagrou o funcionário dos Correios Maurício Marinho recebendo propina. O depoimento de Marcos Valério vai levar para a CPI dos Correios o tema do mensalão, um assunto que os governistas tentavam manter, por enquanto, fora da comissão.
O senador Demóstenes Torres, integrante da CPI, vai requerer a quebra dos sigilos fiscal e telefônico de Valério, e também analisar os contratos assinados pelas agências com o governo. Para ele, é preciso que o Ministério Público peça a indisponibilidade dos bens do publicitário:
- Esse deve ser o caminho, para evitar que esses bens migrem ou o patrimônio tenha mudança brusca.
Segundo o senador Delcídio Amaral, presidente da CPI dos Correios, os contratos já estão em análise na Controladoria-Geral da União.
A revista mostrou um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), no qual aparecem saques feitos nas contas da SMP&B e DNA, das quais Valério é sócio. O publicitário é acusado de participar no esquema de pagamento de propina a deputados do PP e do PL, no intuito de aprovarem projetos de interesse do governo.
Já a revista Veja citou uma declaração dada por Marcos Valério, confirmando a retirada do dinheiro:
- Reconheço que já fiz vultuosas movimentações financeiras no Banco Rural. Tenho fazendas, compro animais. Lido com gado. Há fazendeiros que simplesmente não aceitam cheque.
A assessoria do empresário e publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza afirmou nesta segunda-feira que ele explicará "nos foros adequados" os saques milionários em dinheiro vivo que foram realizados entre 2003 e 2005, em contas do Banco Rural. Valério deve depor nesta quarta-feira, na Comissão de Sindicância instalada pela Corregedoria da Câmara dos Deputados.