Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Denúncia sobre Waldomiro partiu de tucano

A fita de vídeo que mostra Waldomiro Diniz, subsecretário de Assuntos Parlamentares do Ministério da Coordenação Política, negociando propina com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, chegou ao procurador federal José Roberto Santoro por iniciativa do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), presidente da CPI do Banestado. (Leia Mais)

Sábado, 14 de Fevereiro de 2004 às 07:51, por: CdB

A fita de vídeo que mostra Waldomiro Diniz, subsecretário de Assuntos Parlamentares do Ministério da Coordenação Política, negociando propina com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, chegou ao procurador federal José Roberto Santoro por iniciativa do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), presidente da CPI do Banestado.

Antero diz ter recebido duas fitas 15 dias atrás por um remetente que não se identificou. Ele viu as fitas e disse ter pensado se tratar de um caso relativo a assuntos do Rio de Janeiro e as despachou para o Ministério Público no começo deste mês.

- Se eu conhecesse o Waldomiro pessoalmente, saberia que se tratava de um assunto grave - disse o senador nesta sexta-feira.

Na última quarta-feira, Antero foi informado do real conteúdo das fitas que enviara ao procurador. Pediu cópias e as assistiu ao lado do líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). Em uma das fitas, Valdomiro pede ao bicheiro propina e ajuda financeira para campanhas eleitorais no Rio e em Brasília, em troca de facilidades em uma concorrência pública. O assessor pede que receba, como comissão, um por cento do contrato que fosse acertado.

Arthur Virgílio já tinha apresentado dois requerimentos ao governo federal pedindo informações sobre denúncias envolvendo Waldomiro com representantes do jogo do bicho. O primeiro foi em julho do ano passado. Na ocasião, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que era chefe de Valdomiro, disse que nada existia que desabonasse o assessor. No dia 2 daquele mês, Dirceu deu uma entrevista em que comentou sobre os requerimentos apresentados por Virgílio.

"Não há nada que o desabone. Não é verdade que tenha alguma acusação comprovada contra ele na loteria", afirmou o ministro sobre Valdomiro. Na mesma entrevista, Dirceu afirmou ser preciso "não condenar ninguém antes da Justiça" e disse que Waldomiro estava à disposição do Congresso. Ao encerrar a entrevista, em julho do ano passado, o ministro reafirmou que Waldomiro era de sua inteira confiança e acrescentou que o governo queria que não só o Tribunal de Contas da União (TCU) mas também a Polícia Federal e o Ministério Público investigassem as suspeitas de ligação do assessor com a contravenção.

A segunda fita recebida pelo senador do PSDB Antero Paes de Barros sobre Waldomiro mostra um encontro dele com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Os dois estavam no aeroporto de Brasília, e o bicheiro aparece entregando uma mala e um saco ao assessor do Planalto. A fita está sem áudio e o Ministério Público tenta recuperá-la.

Antes de pertencer aos quadros do recém criado Ministério da Coordenação Política, Waldomiro era titular da subchefia de Assuntos Parlamentares da Casa Civil. Ele foi nomeado no primeiro dia de janeiro de 2003, juntamente com ministros e os principais assessores do Palácio do Planalto.

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