Irmã Agnès concedeu entrevista e fala sobre montagem dos vídeos distribuídos
Artigo publicado na Rede Voltaire, que reúne intelectuais e jornalistas do mundo inteiro, afirma que as crianças que agonizam nos videos que escandalizaram a comunidade internacional eram, na verdade, filhos de famílias de uma comunidade alawita, assassinadas pelos mercenários dias antes do criminoso atentado com gaz venenoso na Síria. Os mercenários mataram os adultos e "pouparam" as crianças para "usá-las posteriormente". Chegaram a filmar a morte de um menino duas vezes, com fundos diferentes.
O artigo é veiculado após a divulgação, nesta terça-feira, da identificação das crianças mortas em Ghouta, local onde supostamente houve um ataque na Síria, com armas químicas. Na sequência da difusão das imagens, distribuídas pelo Exército sírio livre e retomadas pelos serviços secretos norte-americanos e franceses, do massacre de Ghouta, as famílias alauwítas de Lattaquié apresentaram queixa contra os rebeldes, por assassinato.
Alguns destes vídeos foram rodados, e depois postados no YouTube, antes mesmo do acontecimento a que se referem. Pode-se observar neles crianças que sufocavam com uma intoxicação química diferente da do gás sarin (este gás provoca emissão de baba amarela e não branca). Além disso, as crianças não correspondem a uma amostragem da população: elas são quase todas da mesma idade e têm cabelos claros. Também não estão acompanhadas pelos familiares em luto.
Trata-se com efeito de crianças raptadas pelos jihadistas, duas semanas antes, nas aldeias alauwítas nos arredores de Lattaquié, à 200 kms de Ghouta. Contrariamente às afirmações do "Exército sírio livre" (mercenários) e aos serviços secretos ocidentais, as únicas vítimas identificadas do massacre de Ghouta são originárias de famílias de simpatizantes do governo sírio. As pessoas que posam nos vídeos gritando de indignação pelos "crimes de Bachar Al-Assad" são na realidade os seus assassinos.
"Em direito internacional a propaganda de guerra é o crime mais grave, porque torna todos os outros crimes possíveis", afirma o autor do artigo, Thierry Meyssan, jornalista e ativista político francês.
Depoimento
Outra fonte que renega a veracidade dos vídeos, que chegaram a ser exibidos ao Congresso dos EUA como argumento para que o governo do presidente Barack Obama fosse autorizado a bombardear posições do governo sírio, é uma freira católica, de uma congregacão que trabalha naquele país árabe. A irmã Agnès-Marian de la Croix afirmou à rede russa de notícias RT que conduziu ela mesmo uma investigação sobre o incidente que custou a vida de centenas de pessoas em Ghouta, um subúrbio a Oeste da capital síria, baseando-se nos materiais obtidos junto às comunidades vizinhas às zonas montanhosas da Latakia.
– Me reuni com várias famílias desta região e eles me disseram que reconheceram seus filhos entre as vítimas do ataque com armas químicas em Ghouta. Outras famílias também entraram em contato comigo para pedir uma explicação do que estava exatamente ocorrendo - afirmou a freira.
A religiosa também estudou os 35 vídeos publicados pelos rebeldes na internet em busca das crianças às quais eles se referiam.
– Examinei o conteúdo dos vídeos e fiquei surpresa. Ao ver, pela primeira vez, esse material, descobrimos que as imagens que os EUA elegeram como verdadeiras e em cima das quais apresentaram uma acusação formal contra o Estado sírio por uso de armas químicas são, na realidade, montagens – assegurou Agnès-Mariam.
A freira explicou que, "comparanto diferentes fotogramas dos vídeos, buscando às crianças que apareciem neles, detectamos a presença de uma locação e de uma direção cinematográfica". Por exemplo, assinalou, em uma das imagens se observa um menino sendo atendido por médicos, enquanto em outras se observa o mesmo menino, com os mesmos médicos, mas em um cenário completamente diferente ao fundo".
– Trata-se de uma montagem, com a mesma cena rodada duas vezes. A primeira versão não deve ter ficado boa, por algum motivo, e eles fizeram uma segunda edição – garantiu.
Ainda na tarde desta terça-feira, o governo de Damasco entregou ao Kremlin mais provas de que os rebeldes estão por trás dos ataques com armas químicas no dia 21 de agosto. A informação foi confirmada por Serguei Ryabkov, vice-ministro do Exterior da Rússia, citado pela agência russa de notícias RIA Novosti.
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