O Ministério Extraordinário da Segurança Alimentar vai investigar denúncias de irregularidades no funcionamento do Programa Fome Zero na Paraíba. Segundo o Jornal da Paraíba, o governo federal foi informado na semana passada que uma casa lotérica no Estado estaria sendo beneficiada por esquema envolvendo o gerente de uma das agências da Caixa Econômica e familiares de um prefeito paraibano.
De acordo com o petista paraibano Walter Aguiar, que ontem assumiu em Brasília a Diretoria Nacional de Capacitação dos Agentes Gestores do Fome Zero, o gerente denunciado estaria informando aos beneficiados pelo programa em determinado município paraibano que o dinheiro só está sendo liberado pela casa lotérica de propriedade do irmão do prefeito, que estaria se beneficiando com um percentual sobre o serviço.
"As agências da Caixa Econômica Federal são obrigadas a pagarem os cartões", explicou Aguiar. Ele não quis revelar o nome do município que está sendo denunciado para não atrapalhar as investigações do governo federal. Na primeira etapa, o Fome Zero contemplou 15 municípios paraibanos com a distribuição do Cartão-Alimentação, que garante todo mês 50 reais para as famílias com renda inferior a meio salário mínimo.
Atualmente, cerca de 171 municípios estão recebendo as verbas federais.
Segundo Aguiar, é permitido às lotéricas e até estabelecimentos comerciais como mercearias fazerem os pagamentos, desde que não haja no município uma agência da Caixa. Até a próxima semana, funcionários do Ministério vêm à Paraíba para averiguar as denúncias. A lotérica corre o risco de ser descredenciada não apenas do Programa Fome Zero, mas da Caixa Econômica Federal. "Vamos fazer a limpeza total se isto for verdade", disse.
O petista concedeu entrevista ao JP poucas horas antes de embarcar para Brasília, onde irá coordenar o trabalho de mais cinco diretores regionais no País inteiro. A tarefa é capacitar agentes de instalação dos comitês gestores do Fome Zero em todo o Brasil. Aguiar admite que o programa está sujeito à corrupção, mas "a diferença está na política do governo de punir os responsáveis". Segundo ele, o ministério já cancelou o programa em 20 municípios brasileiros para investigar denúncias de irregularidades.