Por Leandro Mazzini - A denúncia publicada numa revista no último sábado de que uma empresária pagou R$ 200 mil de propina ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e na qual cita que Manoel Dias ‘é nosso’, envolve muito mais que a acusação sobre um suposto esquema milionário de venda de registro sindical.
Ministro do Trabalho, Carlos Lupi Charge de AliedoMúcio na janela…Muitos anos atrás, José Múcio Monteiro, hoje ministro do TCU, era candidato ao governo de Pernambuco pelo PDS contra o líder nas intenções de voto, Miguel Arraes. Em visita a uma cidade do sertão pernambucano durante a campanha, ficou honrado ao ver cartazes com sua foto nas janelas e porta da humilde residência.O candidato quis agradar ao morador e pediu um copo d’água, mas queria visitar a casa. Os moradores, assustados com a insistência visita, não o deixavam entrar e queriam trazer a água para fora, mas Múcio insistiu, até que o deixaram entrar.Lá dentro, José Múcio descobriu que só era o candidato preferido da janela. Havia fotos e cartazes de Arraes por toda a casinha, o preferido do clã.
A denúncia publicada numa revista no último sábado de que uma empresária pagou R$ 200 mil de propina ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e na qual cita que Manoel Dias ‘é nosso’, envolve muito mais que a acusação sobre um suposto esquema milionário de venda de registro sindical. Nos bastidores, descerram-se as cortinas de algo maior dentro do ministério: a disputa pelo poder no Comitê de Investimento do FGTS, com saldo de bilhões para investimentos.
Em entrevista, a empresária Ana Cristina Aquino disse que entregou dentro de uma bolsa Louis Vuitton a quantia ao próprio ministro. Ele nega e rebate que não há provas. Mas numa outra frente, Ana Aquino envolve o advogado do PDT no Paraná, João Alberto Graça. Segundo Ana, ele se tornou sócio de sua empresa no Estado, de carretas ‘cegonha’ para transporte de carros, a fim de abocanhar contrato com a Renault, recém-instalada na região; mas nada andou, e a empresa não saiu do papel.
É neste ponto que começa a encrenca, e aparece outra encrenca na esteira da denúncia. Não é apenas a acusação política. Há um jogo de interesses dentro do Comitê do Fundo de Investimento do FGTS. João Graça será (ou seria) o próximo presidente do comitê, com poder de caneta para direcionar investimentos do fundo. Mas agora é detonado por parte do conselho. Abriu-se, então, uma guerra entre dois grupos.
Um defende a posse de Graça na presidência, por direito de rodízio, como representante do governo. Outro o quer fora dali, e usa a denúncia da revista para extirpar do ministério a turma de Graça. Este grupo quer indicar para o cargo o representante da Caixa, Fábio Cleto.
E por trás dessa disputa de indicações, os objetivos de cada grupo: João Graça é contra a aplicação de R$ 9 bilhões do FGTS para a Petrobras no projeto do complexo petroquímico de Itaboraí (RJ), o Comperj. Os adversários internos de Graça trabalham pelo aporte para ajudar a petroleira no projeto. (Aqui, um parêntese: a destinação dessa vultosa quantia para a Petrobras é surpresa para muita gente graúda do governo. É outro mistério, já que a estatal informa estar bem das contas..)
Houve na Quarta à tarde uma tentativa de torpedear Graça numa eleição virtual. Não conseguiram por falta de quorum. O homem ganhou fôlego. A nova reunião será dia 26 de Fevereiro e muita coisa pode sair dos corredores até lá, contra os dois lados. A despeito de tudo, cabe ao MP denunciar o esquema do registro sindical, se houver provas, e à polícia fechar o cerco ao ministério.
Tudo igual
Não foi surpresa para o chanceler brasileiro Luiz Alberto Figueiredo a conversa ontem, em Washington, com Susan Rice, conselheira de Segurança Nacional dos EUA. Ele disse que está ‘tudo igual’. Por essa expressão, a despeito da fala codificada do ministro, depreende-se o que ele próprio já relatara em Setembro passado para pequeno grupo de parlamentares, no Itamaraty, quando a Coluna revelou o teor da conversa: Os Estados Unidos não vão pedir desculpas e continuarão a espionar, disse à época o chanceler. A visita a Washington, a pedido de Barack Obama e com o consentimento de Dilma Rousseff, é apenas mais um falso passo no jogo de interesses. ‘Tudo igual’ é tudo está no mesmo lugar.
Ponto Final
Pensar que os EUA vão parar de espionar é como acreditar em Papai Noel.
______________________________
Com Maurício Nogueira, Luana Lopes e Equipe DF e SP
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.