Maurício Campos, membro da Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência, denunciou em reuniões com entidades de direitos humanos e em entrevistas a rádios na Alemanha e na Suíça, que os Jogos Pan-Americanos estão sendo usados pelo governo do Rio como pretexto para a prática de uma política de extermínio e de limpeza social na cidade.
Uma megaoperação com 1.350 homens das polícias militar e civil, além da Força Nacional de Segurança, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, deixou 19 de mortos.
Campos, que regressou nesta quarta-feira de viagem, aponta um aumento de 40% dos homicídios em confronto com a polícia no primeiro trimestre, enquanto a apreensão de drogas caiu 8%, o total de prisões diminuiu 21% e a retirada de armas de circulação baixou 9%. Ele utilizou dados do Instituto de Segurança Pública do governo. - Esses números são a prova de que a política do governo é do extermínio - disse ao jornal O Estado de S. Paulo.
Ele afirma que, além das mortes em confronto com a polícia, o desequilíbrio no mercado de drogas decorrente das ações policiais estimula a invasão de comunidades por facções inimigas - o que pode resultar em mais mortes à população.
O antropólogo Luiz Eduardo Soares, secretário de Valorização da Vida e Prevenção à Violência de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, diz que a atual política de segurança é ineficiente. Para Soares, às vésperas do Pan, o governo deve usar o total de mortes para tentar vender ao público que as autoridades estão trabalhando.
Para a coordenadora da ONG Justiça Global, Sandra Carvalho, apesar da brutalidade, a eficácia das políticas governamentais do Rio é nula.