Rio de Janeiro, 28 de Agosto de 2026

Demora no atendimento da rede pública contribui para que mulher com câncer de mama desista do tratamento

Terça, 10 de Maio de 2011 às 09:25, por: CdB

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Se diagnosticado logo no início e tratado em seguida, o câncer de mama tem grandes chances de cura, podendo ser curável em 95% dos casos. No entanto, depois dos primeiros testes, parte das brasileiras não volta para fazer exames mais específicos ou mesmo iniciar o tratamento. Para organizações em defesa da saúde da mulher, um dos motivos da desistência é a demora em conseguir atendimento na rede pública.

“Você imagina uma mulher que trabalha e tem filhos. Tem que fazer toda uma logística para conseguir ir ao posto de saúde. E aí, o médico não foi, o aparelho está quebrado e passa o tempo. Isso é inadmissível”, reclama Maira Caleffi, presidente da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, que participou hoje (10) de audiência pública no Senado sobre a situação do câncer de mama no país.

Para Maira Caleffi, o prazo ideal para começar o tratamento é 30 dias após a descoberta da doença. Mas, segundo ela, grande parte das mulheres espera, em média, seis meses. A federação calcula que 30 mulheres morrem por dia no Brasil por causa do câncer de mama. Quase metade dos casos (45,3%) é diagnosticada em estágio avançado.

O Ministério da Saúde reconhece que mais da metade dos mamógrafos usados no Sistema Único de Saúde (SUS) funcionam abaixo da capacidade prevista. No mês passado, o órgão designou uma equipe que vai avaliar porque os equipamentos estão com baixa produtividade. No total, o sistema dispõe de 1.645 aparelhos, número suficiente para atender à demanda, segundo o governo federal.

Na audiência pública, a coordenadora de Média e Alta Complexidade do ministério, Maria Inez Gadelha, disse que a pasta pretende ampliar a oferta de biópsias, quimioterapia e radioterapia, serviços que estão aquém da demanda.

Para Ronaldo Ferreira, oncologista do Instituto Nacional do Câncer (Inca), a desistência das mulheres pode estar relacionada também ao medo de enfrentar a doença e o próprio tratamento, como uma cirurgia. “É também o medo de saber que tem câncer”, afirmou, na audiência.

Edição: Lana Cristina
 

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