Ao fazer uma análise das caixas-pretas do Airbus A320 da TAM, o coronel da reserva da Aeronáutica Antônio Junqueira disse que um erro na posição de um dos manetes do avião (que funcionam como aceleradores) contribuiu para o acidente com a aeronave, assim como a demora para frear a aeronave após o pouso. O especialista foi contratado pela Comissão Parlamentar de Inquérito do Apagão Aéreo (CPI) da Câmara para examinar os dados das caixas-pretas da aeronave, fornecidos pela Aeronáutica, e apresentou nesta quarta-feira o resultado dos trabalhos.
Durante a apresentação à CPI, o especialista chamou a atenção para o fato de o piloto demorar nove segundos após o pouso para pisar no freio. Segundo ele, foram “nove segundos cruciais”.
O coronel disse que a leitura das caixas-pretas mostrou que no momento do pouso o manete direito foi deixado em posição climb (de subida) e não idle (ponto morto). O especialista explicou que a posição incorreta do manete direito impediu que os spoilers (freios aerodinâmicos) fossem acionados.
— Os spoilers se mostram cruciais no momento do pouso, porque ao mesmo tempo em que diminuem a sustentação da asa, fazendo com que o avião se apóie nos trens de pouso, esse painéis que se levantam, atuam como freio aerodinâmico e também ajudam a reduzir a velocidade —, disse.
Em agosto, deputados da CPI, após audiência a portas fechadas com o chefe do Cenipa, brigadeiro-do-ar Jorge Kersul Filho, disseram que os dados do computador de bordo do Airbus A320 da TAM indicavam que um dos manetes estava em posição errada durante o pouso. No entanto, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) da Aeronáutica não considerou que isso comprovava falha do piloto.
De acordo com ele, os spoilers “são fundamentais para o sucesso do pouso”, principalmente no caso de pistas consideradas curtas, como a principal de Congonhas, que à época do acidente tinha 1.940 metros. Atualmente as pistas de pouso principal e auxiliar estão mais curtas, pois foram criadas áreas de escape. Segundo a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), a pista principal sofreu, em cada cabeceira, redução de 150 metros, passando para 1.640 metros.
— Não é admissível que uma tripulação com aquela quantidade de horas voadas tivesse deixado de reduzir as duas manetes —, disse Junqueira, que entre 1987 e 2002 trabalhou no Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes (Cenipa) da Aeronáutica.
Ao ser questionado pelos parlamentares se houve erro humano, o especialista evitou responsabilizar os pilotos. Em entrevista no intervalo da reunião da CPI, Junqueira afirmou que “a leitura da caixa-preta diz que o piloto esqueceu [de colocar os dois manetes na posição de ponto morto]”.
Para o especialista, há dois precedentes importantes que reforçam a tese de que os manetes em posição errada é uma das causas do desastre com o avião da TAM. São dois acidentes que, segundo ele, ocorreram nas mesmas condições das verificadas com o Airbus da TAM - um em Taipei, em 1998, e outro na Filipinas, em 2004.
Segundo Junqueira, as duas aeronaves não foram destruídas nos acidentes, o que permitiu que as investigações chegassem à conclusão de que os manetes estavam na posição errada.
Demora de nove segundos para frear foi "crucial", afirma coronel
Quarta, 19 de Setembro de 2007 às 15:21, por: CdB