Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Demolição de terreiro provoca polêmica em Salvador

Terça, 18 de Março de 2008 às 05:29, por: CdB

O terreiro Oyá Onipó Neto, localizado há mais de 29 anos na Avenida Jorge Amado, em Salvador, foi parcialmente demolido em 27 de fevereiro, o que provocou polêmica e uma série de manifestações contra a intolerância religiosa. A destruição provocou exoneração de uma funcionária da Superintendência de Controle do Uso do Solo do Município (Sucom) e o prédio está sendo reconstruído.
 
Alguns dias após a derrubada do prédio, o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro, pediu desculpas pelo ocorrido, em público, e anunciou que o templo seria reconstruído. Segundo a mãe-de-santo Rosalice Santos do Amor Divino, de 50 anos, uma construtora, cujo nome é mantido em sigilo, assumiu a obra.
 
Mãe Rosa, como é conhecida em Salvador, disse que espera poder realizar suas atividades religiosas o mais breve possível.

– Não vejo a hora de poder entrar novamente no templo. Afinal de contas, estou no local há quase 30 anos. Felizmente recebemos apoio de diversos religiosos, de todos os credos possíveis. O que aconteceu não poderia ter acontecido, afirmou.
 
Marcos Rezende, de 33 anos, conselheiro da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, fez cinco dias de greve de fome como protesto até a solução do caso.

– Só encerrei a greve de fome depois de receber a garantia de que a administração municipal pediria desculpas e reconstruiria o templo. Além disso, será preciso repensar a situação imobiliária de muitos outros templos religiosos, sejam eles de qualquer natureza, registrou.
                
Para Rezende, o efeito da destruição do terreiro veio dos céus logo no dia 28 de fevereiro.

– Neste dia, uma chuva, como há muito tempo não se via em Salvador, provocou estragos na cidade. Foi a resposta dos orixás. Como religiosos, achamos que isso foi um clamor de Iansã e Xangô por Justiça, disse.
   
Segundo ele, todos os quartos dos orixás foram derrubados na ação da Sucom.

– A única imagem que caiu do barracão foi o orixá da Justiça (Xangô). Iansã é o orixá das ventanias e tempestades. Xangô também é o orixá dos raios e dos trovões. Por isso, achamos que o temporal que caiu em Salvador um dia após a derrubada do terreiro foi uma resposta contra a intolerância religiosa, afirmou Rezende.
 
Para Almiro Sena, promotor de Controle à Discriminação e Intolerância Religiosa de Salvador, a derrubada do terreiro foi um ato arbitrário e inconstitucional.

– O prefeito já sinalizou a reconstrução do terreiro, mas a responsável pela demolição do prédio, a senhora Kátia Carmelo, ainda pode responder por crime de intolerância religiosa. O dano religioso é irreversível, disse o representante do Ministério Público.
 
A Sucom informou que a responsável pela ordem de demolição foi exonerada dois dias depois do ocorrido.

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