Democracia para Chile – espaço formado, até o momento, por 48 organizações sociais e mais de duas mil pessoas –, lançou comunicado em que conclama toda a sociedade chilena a lutar pela realização de um plebiscito nacional vinculante multitemático. O objetivo é promover a democratização do Estado, considerada imprescindível no atual momento efervescente dos movimentos sociais chilenos.
"Queremos resolver os grandes temas de contradição que o modelo imperante instalou na sociedade chilena e que hoje são questionados pela grande maioria da cidadania chilena, sendo os temas da educação e Hidroaysén os que devemos enfrentar com urgência”, esclarecem.
Para os movimentos, o plebiscito seria uma primeira iniciativa no sentido de modificar a Constituição Política (considerada autoritária), de maneira "legítima”, com a eleição de uma Assembleia Constituinte que tenha representatividade ampla – de trabalhadores, camponeses, mulheres, estudantes, vizinhos, povos originários e de diferentes identidades sexuais.
A intenção é que o plebiscito possa ser convocado pelos cidadãos, com padrão baseado na inscrição automática e voto voluntário. "Com a ferramenta plebiscitária em suas mãos, a cidadania poderá resolver e decidir muitos dos conflitos e problemas que a classe política tem se negado a enfrentar”, ressaltam.
Dentre os temas sociais relevantes, Democracia para Chile cita educação, trabalho, moradia e reconstrução (após os terremotos de fevereiro de 2010), nacionalização das riquezas naturais, como o cobre; soberania alimentar, direitos dos povos originários, direitos sexuais e reprodutivos, democratização da comunicação e outros.
Como atividade em prol do plebiscito, as organizações realizarão, no dia 24 de setembro, a Grande Concentração Cidadã por Democracia para Chile, a ocorrer na capital Santiago, no Parque O'higgins, a partir das 15h. Durante todas as segundas-feiras de agosto e setembro ocorrerão reuniões preparatórias para a mobilização, às 19h.
Já em outubro, nos dias 8 e 9, Democracia para Chile realizará o Primeiro Encontro Cidadãos de Chile, tendo por objetivo construir uma Plataforma Nacional e um Plano de Ação que permita a realização do plebiscito.
Outra maneira apontada para reforçar a demanda do plebiscito é a criação de Assembleias Cidadãs em todo o Chile, visando organizar iniciativas em prol do instrumento.
Além disso, os movimentos convocam o povo chileno a repudiar episódios de repressão ocorridos nos últimos meses, como os que envolveram os moradores da localidade de Dichato (província de Concepción), bastante atingida pelo sismo de 2010, e os estudantes, fortemente mobilizados desde maio por educação gratuita e de qualidade.
Para ler o comunicado completo, acesse o site de Democracia para Chile: http://www.democraciaparachile.cl/. Interessados em aderir ao documento devem enviar e-mail para democraciaparachile@gmail.com.
Há ainda perfil na rede social facebook: http://www.facebook.com/event.php?eid=215704101813080%23!/profile.php?id=100002572807069&sk=wall