Rio de Janeiro, 10 de Setembro de 2026

Demanda Reprimida e Subconsumo na Sociedade Capitalista

Quarta, 15 de Junho de 2011 às 11:25, por: CdB

Por Penumbra 15/06/2011 às 17:07

De acordo como o Pedro Mundim, a socialização dos meios de produção e a sua gestão pelos trabalhadores não trará melhorias ao padrão de vida destes trabalhadores, ou seja, os trabalhadores não consumirão mais nem trabalharão menos, porque, segundo ele, a auto-gestão operária não fará a produção aumentar.

De acordo como o Pedro Mundim, a socialização dos meios de produção e a sua gestão pelos trabalhadores não trará melhorias ao padrão de vida destes trabalhadores, ou seja, os trabalhadores não consumirão mais nem trabalharão menos, porque, segundo ele, a auto-gestão operária não fará a produção aumentar.

Eis o comentário onde o Mundim diz que a auto-gestão não melhorará (nem piorará) a vida dos produtores:

"Não, não é assim
Pedro Mundim 13/06/2011 13:00

..."...quatrocentos bilionários possuem riqueza equivalente a 30% da humanidade. Se a riqueza destes quatrocentos bilionários fosse distribuída para os 30% citados, eles ficariam com o dobro do que possuem. Portanto mais ricos. Ou não é assim?"

Não, não é assim. Quando se diz que esses 400 bilionários detêm 30% da riqueza da humanidade, isso significa tão somente que o valor somado de suas empresas, ações, títulos e imóveis corresponde a 30% da riqueza total do mundo. Mas eles não consomem esse patrimônio em suas pessoas físicas. Eles administram esse patrimônio, fazendo o dinheiro circular na economia a cada vez que compram suprimentos, pagam salários, recolhem impostos, financiam projetos, fazem depósitos bancários, etc. Se esses 400 bilionários forem eliminados e suas posses distribuídas aos demais, esses demais tampouco poderiam consumir em suas pessoas físicas tal patrimônio - eles apenas receberiam a incumbência de GERIR o patrimônio, e para que as coisas continuem funcionando, teriam que fazer mais ou menos o mesmo que os antigos gestores faziam - encomendas, salários, taxas, investimentos etc.

Independente dos meios de produção existentes no mundo pertencerem a 400 ou a 4 milhões, as limitações do ambiente físico (disponibilidade de matéria-prima e energia, capacitação tecnológica, danos ao meio-ambiente, etc.) continuam as mesmas. A geladeira não vai gelar mais se for pintada de verde, nem a fábrica vai produzir mais se sua gestão for entregue aos operários. É por isso que a expropriação da burguesia não melhora o nível de consumo dos trabalhadores, apenas impõe um racionamento que se propõe e fazer a "distribuição justa" dos poucos ítens disponíveis. O operário continua na mesma: antes ele não podia comprar porque não tinha dinheiro, depois ele não pode comprar porque a prateleira está vazia. A única maneira de acabar com a pobreza é aumentar a produção."

 http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2011/06/492478.shtml

Inicialmente, cabe registrar que o socialismo científico será conseqüência de uma crise capitalista de super-produção, não de crise de escassez. Para o escritor Marxista Herberth Marcuse, 'whereas previous Revolutions brought about a larger and more rational development of the productive forces, in the over-developed societies of today, Revolution would mean reversal of this trend: elimination of over development and of its repressive rationality.'

Em sendo assim, o socialismo não terá como prioridade somente o aumento da produção mas também a distribuição, e não apenas a distribuição da riqueza mas de mais tempo livre.

Na sociedade burguesa a demanda reprimida e o subconsumismo não se devem à escassez, até porque os trabalhadores passam mais necessidades justamente nos períodos de super-produção. E a super-produção capitalista não deriva do sub-consumo nem da demanda reprimida, mas do sobretrabalho. O subconsumo e o sobretrabalho fazem parte da lógica do sistema capitalista, até porque o subconsumo das classes oprimidas é mais do que compensado pelo superconsumo dos opressores e dos seus lacaios e o sobretrabalho dos empregados poderia ser reduzido dando trabalho aos milhões de desempregados. Conforme George Orwell assinala no Romance 1984, a riqueza deve ser produzida ( a fim de manter as pessoas condenadas ao sobretrabalho ) mas não distribuída ( a fim de manter as pessoas condenadas ao sub-consumo ). O intuito da burguesia é manter a sociedade hierarquizada, eternizando a opressão e a exploração.

É o que está dito em 1984:

"But it was also clear that an all-round increase in wealth threatened the destruction - indeed, in some sense was the destruction - of a hierarchical society. In a world in which everyone worked short hours, had enough to eat, lived in a house with a bathroom and a refrigerator, and possessed a motor-car or even an aeroplane, the most obvious and perhaps the most important form of inequality would already have disappeared. If it once became general, wealth would confer no distinction. It was possible, no doubt, to imagine a society in which wealth, in the sense of personal possessions and luxuries, should be evenly distributed, while power remained in the hands of a small privileged caste.

But in practice such a society could not long remain stable. For if leisure and security were enjoyed by all alike, the great mass of human beings who are normally stupefied by poverty would become literate and would learn to think for themselves; and when once they had done this, they would sooner or later realize that the privileged minority had no function, and they would sweep it away. In the long run, a hierarchical society was only possible on a basis of poverty and ignorance. To return to the agricultural past, as some thinkers about the beginning of the twentieth century dreamed of doing, was not a practicable solution. It conflicted with the tendency towards mechanization which had become quasi-instinctive throughout almost the whole world, and moreover, any country which remained industrially backward was helpless in a military sense and was bound to be dominated, directly or indirectly, by its more advanced rivals.

Nor was it a satisfactory solution to keep the masses in poverty by restricting the output of goods. This happened to a great extent during the final phase of capitalism, roughly between 1920 and 1940. The economy of many countries was allowed to stagnate, land went out of cultivation, capital equipment was not added to, great blocks of the population were prevented from working and kept half alive by State charity. But this, too, entailed military weakness, and since the privations it inflicted were obviously unnecessary, it made opposition inevitable. The problem was how to keep the wheels of industry turning without increasing the real wealth of the world. Goods must be produced, but they must not be distributed. And in practice the only way of achieving this was by continuous warfare."

Como, na era nuclear, uma guerra mundial para fazer recuar as avançadas forças produtivas e para suprimir o excedente da produção agravaria os problemas em vez de solucioná-los, os capitalistas recorrem à obsolescência programada para manter o a sociedade hierarquizada.

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