Primeiro-secretário da Mesa Diretora, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) quer iniciar o mais rápido possível um processo administrativo para apurar o vazamento à imprensa dos 468 atos secretos, além dos 500 já constatados que estavam sob a investigação das secretarias Geral e de Recursos Humanos. Todos esses atos foram assinados quando o presidente da Casa era o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), morto há dois anos. O assunto foi levado para a reunião do colegiado, na manhã desta quinta-feira.
– O trabalho de investigação estava sendo feito pela Secretaria-Geral e a Secretaria de Recursos Humanos com a recomendação de que tome cuidado. Os atos são criminosos, mas os vazamentos também porque foram maldosos – completou.
Para o parlamentar, os responsáveis pelo vazamento da informação “deixaram suas digitais”. Ele acrescentou que tratam-se de fundamentalistas da administração passada que "deixaram seus cargos e acham que vão voltar”. Perguntado por jornalistas se essas pessoas a quem se referia incluíam o ex-diretor-geral Agaciel Maia, Heráclito Fortes respondeu:
– Eu não tenho dúvida. Ele e os que participavam da gestão anterior.
'Acordão'
Se os funcionários citados pelo senador Heráclito Fortes deixaram digitais no vazamento de informações acerca dos atos secretos, durante a gestão do ex-correligionário baiano, a versão de que um "acordão" vigora entre aliados do Planalto e oposicionistas para acalmar os ânimos na Casa se transformou em um farol após o encontro, no início da noite passada, entre o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (SP), e o líder dos Democratas, senador José Agripino Maia (RN).
Na tentativa de disfarçar a negociação com o PMDB, que salvou o mandato do senador tucano Arthur Virgilio (AM) da cassação por quebra do decoro parlamentar, os oposicionistas combinaram que os cinco votos disponíveis no Conselho de Ética (três do DEM e dois do PSDB) serão sempre contrários à maioria. Combinaram também, segundo jornalistas que tiveram acesso ao conteúdo da negociação, que – embora na prática vão esvaziando aos poucos os ataques ao presidente da Casa, José Sarney (PMDB-MA) – manterão para o público o mesmo discurso contrário à sua permanência no cargo.
Ao deixarem o encontro, porém, Maia afirmou que "não tem acordo coisa nenhuma” e Guerra garantiu que “isso não existe”.
– Nossos votos serão contra Sarney. Se o governo dispõe de maioria, que use essa maioria para nos derrotar Conselho de Ética – concluiu Maia, em declaração aos jornalistas.