Em pouco mais de uma semana, o DEM perdeu quatro senadores para partidos da base aliada do governo. A última baixa foi o senador Adelmir Santana (DEM-DF) - que vai assinar sua filiação ao PR nesta terça-feira. Oficialmente, os senadores alegam que as mudanças foram provocadas por composições partidárias regionais, sem ligação direta com a votação da proposta da prorrogação da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) até 2011.
Santana já avisou a base aliada do governo, segundo interlocutores, que vai votar contra a prorrogação da CPMF mesmo integrando um partido aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Santana é suplente de Paulo Octávio, que deixou o Senado para assumir o cargo de vice-governador do Distrito Federal na chapa pura com Arruda.
Além de Santana, os senadores Romeu Tuma (PTB-SP), César Borges (PR-BA) e Edson Lobão (PMDB-MA) trocaram o DEM por partidos alinhados com o Palácio do Planalto. A esperança dos governistas é que as trocas contribuam para garantir a aprovação da CPMF até 20 de dezembro, como o cronograma definido pelo Palácio do Planalto.
Apesar de a oposição perder senadores, DEM e PSDB apostam que terão força para derrubar a prorrogação da CPMF no plenário da Casa - uma vez que esperam contar com a adesão de senadores da base aliada no movimento contra a matéria.
Tuma reclamou de ter sido "permanentemente alijado" pelo comando do DEM, em São Paulo, além de ter sido "trocado" pelo empresário e secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (DEM), na disputa por uma vaga no Senado.
Santana também justificou sua mudança para o PR com o argumento de que "não teria espaço" no DEM para concorrer ao Senado em 2010. Segundo o senador, o partido terá nomes como o governador José Roberto Arruda (DEM-DF) ou o ex-senador Paulo Octavio (DEM-DF) para disputarem uma vaga ao Senado.