Estamos assistindo ao vivo e a cores ao desaparecimento do DEM e as angústias filosóficas do tucanato, num roteiro que dramaturgo nenhum pode botar defeito. Agora, um dos dois únicos governadores eleitos pelo DEM no ano passado, Raimundo Colombo, de Santa Catarina, anuncia que deixa o partido e vai para o PSD do prefeito paulistano Gilberto Kassab (ex-DEM-PSDB). Assim o DEM fica com apenas uma governadora, Rosalba Ciarlini, do Rio Grande do Norte.
Com Colombo desembarca do DEM a família Bornhausen, o vice-presidente nacional do partido, deputado Paulo Bornhausen (SC), que já ingressa no PSD; e o ex-senador Jorge Bornhausen (SC) que promete ingressar um pouco mais na frente. E o catarinense se torna o 2º governador a ingressar no DEM, ao lado de Omar Aziz, do Amazonas.
Os Bornhausen, junto com o vice-presidente da República em 1984, Aureliano Chaves, o ex-senador Marco Maciel e outros expoentes políticos da ditadura foram fundadores da Frente Liberal, dissidência do partido do regime militar (ARENA-PDS) que se transformou em PFL e mais recentemente em DEMOCRATAS.
O "dois pra lá e dois pra cá" da dupla PSDB-DEM
Louve-se a persistência e a fé do presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), mesmo neste momento em que o barco do partido faz água: “Nosso partido não está acabando. O DEM está inteiro. Claro que não subestimamos a saída de ninguém, e eles (Colombo e Bornhausens) fazem falta. Mas a saída deles não é nada que cause dificuldade para que o DEM siga no caminho da mudança.”
Já o senador Aécio Neves (PSDB-MG), fechado com o que resta do DEM, segundo noticiam os jornais hoje, aproxima-se do PSD do Kassab para se fortalecer como candidato a presidente da República em 2014. José Serra, o outro candidato ao Planalto naquele ano, e um dos principais incentivadores da formação do PSD, prefere tapar o sol com uma peneira: em palestra num colégio da capital paulista, negou que o seu PSDB esteja em crise e disse que o partido precisa apenas reorganizar-se.
Assim, na seara da oposição está ficando tudo um pouco parecido com aquele verso "dois pra lá/dois pra cá" da música O Bebado e o Equilibrista, do João Bosco e do Aldir Blanc. Não fosse um espetáculo tragicômico...