O publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, apontado como um dos operadores do pagamento de mesadas a parlamentares da base aliada do governo, foi avalista de um empréstimo para o Partido dos Trabalhadores e virou seu credor após o partido não honrar um pagamento, admitiu neste sábado o tesoureiro do PT, Delúbio Soares.
O empréstimo, noticiado por reportagem publicada pela revista Veja desta semana, foi de 2,4 milhões de reais. Entre os avalistas, revela a revista que cita como base documentos do Banco Central, aparecem Genoino, o tesoureiro do partido, Delúbio Soares e Valério.
Em entrevista à Veja, Genoino disse que Valério "nunca foi avalista do PT." No sábado pela manhã, porém, num evento em São Paulo, se ele corrigiu.
- Quero informar que dei uma informação equivocada para a Veja porque eu recebi da secretaria de finanças (do PT) a informação de que o Marcos Valério não era avalista de nenhum empréstimo do PT - disse o presidente do partido a jornalistas - O empréstimo foi feito por orientação do Delúbio Soares e ele vai falar sobre esse assunto com nota e documentos logo mais.
No final da tarde de sábado, em nota no site do PT, Delúbio admitiu ter passado informação incompleta ao presidente do partido "e, portanto, equivocada", alegando que ao ser perguntado por Genoino sobre avais de empréstimos do PT se ateve a operações celebradas com o Banco Rural, "até então mencionadas pela imprensa nas últimas semanas", afirmou em nota.
Delúbio contou que no início de 2003 o PT precisou de recursos para honrar compromissos e fez empréstimo no Banco de Minas Gerais (BMG) no valor de 2,4 milhões de reais, que seriam pagos em julho do mesmo ano.
O banco exigiu três avalistas incluindo os dirigentes que assinavam pelo partido, Delúbio e Genoíno, explicou o tesoureiro do PT, que recorreu também a Marcos Valério por este ter o patrimônio exigido pelo BMG.
O PT não conseguiu pagar as obrigações do empréstimo e rolou a dívida, se comprometendo a pagar em 1o de julho de 2004 juros no valor de 349,9 mil reais, que também não foram pagos.
- Em razão de sua responsabilidade como avalista, Marcos Valério Fernandes de Souza realizou esse pagamento ao banco, ficando credor dessa importância junto ao PT - disse Delúbio na nota, afirmando que na segunda-feira o PT solicitará ao BMG todos os extratos referentes à operação.
Genoino havia dito mais cedo que o empréstimo foi feito em fevereiro de 2003, "na fase de transição do PT de 2002 para 2003, onde não tinham ainda crescido as bancadas, o fundo partidário..."
O senador Eduardo Suplicy - que assim como Genoino e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, participou de encontro do Foro de São Paulo - considerou que a revelação sobre o empréstimo é "séria e grave" e que é preciso ouvir Genoino e Soares.
- É perfeitamente possível que o Partido dos Trabalhadores faça um empréstimo. Agora, é necessário saber por que razão, por que houve, por que se solicitou isso.
Valério foi apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB) como um dos operadores do pagamento de mesadas a deputados do PP e do PL, pelo PT, em troca de apoio ao governo.
O publicitário tem depoimento marcado na próxima quarta-feira na CPI dos Correios.
Também neste sábado, reportagem da revista Época denuncia que o empresário Antonio Augusto Morato Leite Filho, supostamente envolvido no esquema de fraudes nos Correios, foi o terceiro maior doador para a campanha do então candidato Lula. Segundo a matéria, Leite Filho doou 800 mil reais para a campanha do PT.
Entre 2001 e 2003, a empresa Beta Transportes Aéreos de Leite Filho dividiria com a Skymaster, do empresário Luiz Otávio Gonçalves, segundo a revista Época, contratos nos Correios.