Além do atraso e não pagamento integral dos salários, de acordo com o Sindelpol, as condições de trabalho desses profissionais são precárias
Por Redação, com ABr - do Rio de Janeiro:
Delegados da Polícia Civil do Rio de Janeiro fizeram nesta segunda-feira uma paralisação de oito horas para exigir pagamento integral de salários e melhores condições de trabalho. Segundo o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado do Rio de Janeiro (Sindelpol), a manifestação deve se estender.
Além do atraso e não pagamento integral dos salários, de acordo com o Sindelpol, as condições de trabalho desses profissionais são precárias.
Os servidores distribuiram cartas à população para explicar a paralisação. No documento, os delegados dizem que falta água, papel, impressora e faxina nas delegacias e no Instituto Médico-Legal (IML). A carta informa ainda que os sistemas de inteligência e bancos de dados estão com funcionamento ameaçado.
Chefe da Polícia Civil
O chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Fernando Veloso, defendeu no dia 17 deste mês que os policiais reivindiquem reajuste do pagamento de salários, como qualquer trabalhador. Ele participou de evento promovido pela Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) que teve como figura central o ministro da Justiça e da Cidadania, Alexandre de Moraes.
– Todo profissional tem que receber a contrapartida do seu trabalho – disse. Veloso discordou, porém, de movimentos políticos que se aproveitam do momento de dificuldades que o estado do Rio de Janeiro atravessa para levantar bandeiras.
Segundo o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), os servidores querem a volta do calendário de pagamentos nos dois primeiros dias úteis do mês, reajuste acima da inflação do período, 13º salário integral, regularização do pagamento do Regime Adicional de Serviço (RAS) e da premiação por área de redução de crimes. Em entrevista no início do mês, o vice-presidente do Sinpol, Álvaro Luiz do Nascimento, disse que a falta de estrutura das delegacias, em razão da crise, também prejudica o trabalho dos policiais.
Veloso admitiu que os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, que ocorrerão no Rio de Janeiro em agosto e setembro, como todo grande evento, serão palco de manifestações. Veloso não acredita, entretanto, que o policial deixará de efetuar seu trabalho durante os Jogos em razão do corte de gastos determinado pelo governo Fluminense.
– Eu não acredito que o policial vá se render a um mecanismo como esse que pode desequilibrar ainda mais as coisas. Ele sabe que esse não é o caminho. Polícia é polícia. Político é político. Cada um no seu quadrado. O policial tem o direito de se manifestar, deve se manifestar, cobrar. Eu sempre apoiei isso. Mas não apoio o uso político da necessidade de manifestação. Pode ser o que está por trás dessa história, disse.