Um delegado e dois agentes da Polícia Federal foram condenados à prisão pelo juiz federal Augusto Martinez Perez, da 4ª Vara de Ribeirão Preto (314 km ao norte de São Paulo). Os três são acusados de terem extorquido um empresário da cidade. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira e ainda cabe recurso.
Os três foram condenados a nove anos de prisão em regime inicialmente fechado e a pagar multa. Eles perderão seus cargos.
De acordo com o Ministério Público Federal, o delegado e os agentes estiveram no escritório do empresário para cumprir mandados de busca e apreensão expedidos sob o argumento de que ele era suspeito de praticar crimes contra a ordem tributária e lavar dinheiro. No local, os policiais apreenderam tíquetes-refeição de R$ 130 mil, um computador e documentos.
Depois, o delegado e os agentes, ainda segundo a denúncia, passaram a exigir, por meio de dois advogados, que o empresário pagasse R$ 900 mil para ter os tíquetes e os documentos apreendidos de volta e para que o caso fosse encerrado. O empresário acabou pagando R$ 400 mil divididos em três parcelas.
Depois do pagamento, o delegado procurou a Justiça Federal para informar que o caso havia sido fechado porque nada havia sido provado. O empresário foi procurado pelos agentes uma vez mais, com um pedido de pagamento de uma mensalidade.
O empresário gravou alguns encontros, e as gravações foram apreendidas durante a operação Lince, promovida em 2004 para combater uma quadrilha de roubo de carga, adulteração de combustíveis e fraude fiscal.
O magistrado afirma que está comprovado que o delegado e os agentes cometeram os crimes de concussão (extorsão cometida por empregado público no exercício de suas funções) e de peculato (uso do cargo público para desvio de dinheiro).
Delegado e agentes da PF são condenados à prisão por extorsão
Segunda, 03 de Setembro de 2007 às 13:44, por: CdB