Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

Delegado diz que R$ 5 milhões foram desviados do Corinthians

Sexta, 07 de Dezembro de 2007 às 15:31, por: CdB

O delegado da assistência policial da diretoria do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), Maurício Guimarães Soares, disse, nesta sexta-feira, que as investigações da Polícia Civil apontam que o desvio de dinheiro do Corinthians em um esquema fraudulento de emissão de notas fiscais podem ter resultado em um rombo de R$ 5 milhões.

Segundo o delegado, a fraude na gestão do ex-presidente Alberto Dualib no clube teria começado há mais de dois anos. O inquérito realizado pelo Deic trata apenas dos crimes de estelionato e formação de quadrilha relacionados à emissão de falsas notas fiscais. Além de Dualib, outras três pessoas foram indiciadas e uma quinta deverá ser incluída no inquérito nos próximos dias.

Entre os indiciados está o dono de uma agência publicitária, principal empresa responsável, segundo a polícia, pela emissão de notas falsas e por providenciar notas de terceiros, muitos deles sem nenhuma relação com o esquema fraudulento. Durante coletiva na sede do Deic, na Zona Norte de São Paulo, Soares disse que, além de notas fiscais frias, os envolvidos no esquema chegaram a usar dados de outras empresas, confeccionar talonários fiscais com esses dados e emitir essas notas sem que o proprietário da empresa soubesse.

De acordo com o Deic, há indícios fortes que evidenciam as fraudes como a emissão de quatro notas de quatro empresas diferentes preenchidas a mão com letra semelhante. Além disso, algumas notas incluíam serviços improváveis de terem sido realizados. Como uma nota de fornecimento de pães, quando o clube possuía padaria própria.

Sobre o posicionamento do ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, que durante depoimento chegou a afirmar que desconhecia a ocorrência de fraudes no clube, o delegado afirmou que “não há como dizer que não sabia”, uma vez que existem registros de uma reunião da diretoria do time, ocorrida há mais de dois anos, em que diretores informaram ao presidente da suspeita de fraude. Após a reunião, foi feita uma ata em que consta a assinatura de Dualib.

O inquérito sobre estelionato e formação de quadrilha possui sete volumes, com 1.500 páginas que incluem o depoimento de 30 pessoas, sendo 25 testemunhas e os cinco indiciados.

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