Em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira, no prédio da chefia de Polícia Civil, no Centro, o diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), delegado Allan Turnowski, falou aos jornalistas sobre o confronto entre policiais da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) e bandidos, ocorrido na terça-feira, em Brás de Pina, Zona Norte. O episódio resultou na morte de criminosos e de dois inocentes.
Segundo o delegado, três homens armados renderam Paulo Marcos da Silva Leão, 26 anos, e Rafael Oliveira dos Santos, 21, que ouviam música dentro de um Palio, em frente à vila onde moravam, naquele bairro. Um dos bandidos assumiu o volante, outro sentou no banco do carona, e o terceiro, no banco de trás com as vítimas.
Ainda de acordo com o diretor do DPE, dois policiais da Drae passavam perto do local e foram avisados por uma testemunha que homens armados haviam roubado o carro. Os agentes da especializada iniciaram uma perseguição aos bandidos, sem saber que havia vítimas no Palio.
Após perder o controle, o carro caiu num valão que divide duas pistas. Nesse momento, os policiais se aproximaram e foram recebidos a tiros pelos bandidos.
– Os policiais não foram avisados da presença de reféns, mas mesmo assim não atiraram primeiro durante a perseguição. Depois da abordagem, os bandidos dispararam aproximadamente 50 tiros na direção deles. A única solução era, evidentemente, reagir – explicou Allan Turnowski, acrescentando que as armas usadas pelos agentes foram apreendidas e disponibilizadas para a perícia.
O delegado completou:
– A polícia não quer trocar tiros, não quer ter que dar explicações sobre a morte de inocentes. O nosso objetivo é resolver esses problemas sem a necessidade de confronto, mas às vezes é inevitável. O que precisa mudar é essa cultura dos bandidos reagirem às nossas abordagens – disse o diretor.
Allan Turnowski lembrou ainda que a versão contada pelos policiais é compatível com a das testemunhas. Por esse motivo, eles vão continuar trabalhando, mas não nas atividades operacionais.
– A princípio, a ação foi legítima. O laudo da perícia feita no carro é que vai comprovar ou não a posição dos policiais. Se o laudo comprovar que a versão é mentirosa, a Polícia Civil não vai ter o menor constrangimento em anunciar a verdade e punir quem quer que seja.
O diretor do DPE deixou claro que o Governador Sérgio Cabral, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, e o chefe de Polícia, Gilberto Ribeiro, determinaram rigor absoluto nas investigações, acompanhadas de perto pela Corregedoria Interna da Polícia Civil.
- Vale ressaltar que a investigação também é levada ao crivo do Ministério Público e da Justiça. O nosso compromisso, o compromisso do governo do estado é com a verdade – afirmou Turnowski.