Rio de Janeiro, 16 de Janeiro de 2026

Delegado da PF vê indícios de manipulação no carnaval do Rio

O delegado da Polícia Federal Emanuel Henrique Oliveira, que investiga o esquema de exploração de jogo ilegal, corrupção, lavagem de dinheiro e venda de decisões judiciais a bicheiros e donos de casas de bingo e máquinas de caça-níqueis, afirmou haver indícios de que o resultado do carnaval carioca possa ter sofrido manipulação.

Segunda, 16 de Abril de 2007 às 08:14, por: CdB

O delegado da Polícia Federal Emanuel Henrique Oliveira, que participa da investigação de um esquema de exploração de jogo ilegal, corrupção, lavagem de dinheiro e venda de decisões judiciais a bicheiros e donos de casas de bingo e máquinas de caça-níqueis, afirmou haver indícios de que o resultado do carnaval carioca possa ter sofrido manipulação. Aniz "Anísio" Abraão David, presidente de honra da escola Beija-Flor, a atual campeã, está entre as 25 pessoas presas pela PF na última sexta-feira.

 - Esse grupo, mais do que uma organização criminosa, é um grupo mafioso, que tem a audácia, que demonstra poder, que faz questão de demonstrar o poder interferindo no Legislativo, no Judiciário, no Executivo e até no resultado do carnaval do Rio de Janeiro -declarou Olivera apontando os 25 presos como integrantes de uma máfia. - Há indícios de que o resultado foi manipulado pelo seu Anísio - completou.

A PF retoma nesta segunda-feira os depoimentos dos presos na Operação Hurricane. Dezessete pessoas já foram ouvidas. 

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse que não há possibilidade de fraude no Carnaval. - Muito difícil, pois são vários jurados em cada quesito e contam as notas de todos. Diria que é praticamente impossível - afirmou Cabral.

Também nesta segunda, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa os pedidos de relaxamento das prisões do advogado Silvério Nery Cabral Júnior e dos desembargadores José Ricardo de Siqueira Regueira e José Eduardo Carreira Alvim, presos durante a operação. Até a última quinta-feira, Alvim era vice-presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2a região. Os pedidos de relaxamento foram encaminhados ao relator do inquérito no STF, ministro Cezar Peluso.

Neste domingo, mais uma tonelada de documentos, arquivos de computador e jóias, apreendidos pela PF chegou a Brasília. A polícia mobilizou quase 50 agentes para analisar o material e colher subsídios para o interrogatório dos presos. No total, são duas toneladas de documentos.

A necessidade de analisar o material fez com que os depoimentos fossem suspensos no domingo. Muitos presos optaram pelo silêncio, orientados por advogados que reclamam que não têm acesso aos autos do inquérito que corre em segredo de Justiça no STF. 
 
Investigação

O grupo preso na sexta-feira na Operação Hurricane, deflagrada no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Distrito Federal, é acusado de vender decisões judiciais e informações privilegiadas favoráveis aos bicheiros e donos de casas de bingo e de máquinas caça-níqueis.
Contraventores, magistrados e advogados também são acusados de lavagem de dinheiro e corrupção.

Segundo a PF, foram apreendidos R$ 10 milhões em dinheiro e R$ 5 milhões em cheques. Em moeda estrangeira, a PF localizou US$ 300 mil, 34 mil euros e 400 libras esterlinas, o equivalente a cerca de R$ 700 mil. A PF informou que o dinheiro, um total de R$ 20 milhões, está depositado na Caixa Econômica Federal.

Durante a operação, os agentes também apreenderam 51 veículos, sendo o mais caro um Mercedes-Benz estimado em R$ 550 mil reais.

Em um cofre na casa do presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Ailton Guimarães Jorge, o capitão Guimarães, foram apreendidos 27 relógios de luxo.

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